A Organização Mundial da Saúde confirmou nesta quinta-feira (7) cinco casos de hantavírus ligados ao cruzeiro MV Hondius — e, pela primeira vez, identificou suspeitos da doença em pessoas que jamais estiveram a bordo.
França, Holanda e Singapura anunciaram investigações sobre pacientes sem histórico de viagem no navio. Três pessoas já morreram: um passageiro alemão e um casal holandês.
A hipótese mais investigada aponta para um voo em Johanesburgo, na África do Sul, como possível ponto de contágio fora da embarcação.
O epicentro do rastreamento global se desloca agora para a ilha de Santa Helena, território britânico no Atlântico Sul. Após a primeira morte a bordo, cerca de 40 passageiros desembarcaram na ilha durante uma parada do MV Hondius — e 29 deles não voltaram para o navio, conforme revelou nesta quinta-feira a operadora holandesa Oceanwide Expeditions.
O dado havia sido ocultado pela empresa. A Oceanwide havia informado apenas que a viúva de um holandês desembarcou com o corpo do marido e depois voou para a África do Sul. As autoridades holandesas não confirmaram onde está esse grupo agora, e governos europeus e sul-africanos trabalham para rastrear os contatos.
A cepa em circulação no MV Hondius é a variante andina — a única com histórico documentado de transmissão entre humanos —, o que torna especialmente preocupantes as novas suspeitas em pacientes que jamais estiveram no navio, como detalha o Tropiquim.
OMS notifica países e alerta para período de incubação
A diretora do Departamento de Prevenção e Preparo para Epidemias e Pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove, descartou que se trate de uma nova epidemia e afirmou que a situação é “totalmente diferente” do coronavírus. Ainda assim, o órgão alertou que novos casos podem surgir nos próximos dias pelo longo período de incubação do vírus.
A OMS notificou os países de origem dos passageiros e enviou um especialista a bordo, que acompanha a embarcação até Tenerife. Na véspera, o governo das Ilhas Canárias havia recusado o atracamento do MV Hondius — impasse que explica a presença do especialista no navio, conforme o Tropiquim reportou.
O MV Hondius, operado pela Oceanwide Expeditions, partiu de Ushuaia, na Argentina, no início de abril com destino original a Cabo Verde. O roteiro internacional reuniu passageiros de múltiplas nacionalidades, o que amplia o desafio do rastreamento epidemiológico global.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou que o órgão está “trabalhando com países relevantes” para identificar a cadeia de transmissão. Três dias antes desta quinta, a OMS ainda classificava o risco como baixo e o navio permanecia ancorado em Cabo Verde sem autorização para atracar — quadro que mudou rapidamente com os novos casos confirmados, como o Tropiquim acompanhou.
O que é o hantavírus andino
Os hantavírus são transmitidos principalmente por roedores infectados e podem causar doenças respiratórias graves, problemas cardíacos e febres hemorrágicas. A variante andina, identificada no surto do MV Hondius, é a única cepa da família com registros documentados de transmissão direta entre humanos — característica que eleva o nível de alerta das autoridades sanitárias internacionais.
