A África do Sul confirmou nesta quarta-feira (6) que o hantavírus detectado no navio de cruzeiro MV Hondius é a cepa andina — a única variante conhecida capaz de se transmitir entre humanos. O dado foi apresentado a uma comissão parlamentar sul-africana.
A Suíça também registrou um caso confirmado. Um passageiro do navio foi hospitalizado em Zurique e testes realizados em Genebra identificaram o vírus andino, típico da América do Sul. Sua esposa foi colocada em isolamento preventivo.
Três passageiros morreram segundo a OMS — um casal holandês e uma mulher alemã. A embarcação segue ancorada ao largo de Cabo Verde, sem destino definido após as Ilhas Canárias vetarem seu atracamento.
O caso suíço envolve um passageiro que buscou atendimento em Zurique após apresentar sintomas. Antes de ir ao hospital, ele havia consultado o médico de família por telefone e foi encaminhado imediatamente ao isolamento. O exame realizado no laboratório de referência dos Hospitais Universitários de Genebra (HUG) confirmou a infecção pelo vírus andino.
O paciente e a esposa retornavam de viagem à América do Sul no fim de abril e ele havia embarcado no MV Hondius, onde múltiplos casos foram registrados. O Ministério da Saúde suíço ressaltou que a transmissão entre humanos é possível na variante andina — ao contrário dos hantavírus europeus, transmitidos por fezes de roedores —, mas ocorre apenas em situações de contato próximo. As autoridades investigam se o paciente teve contato com outras pessoas durante o período de sintomas.
O navio e o surto
O MV Hondius partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril, com destino ao arquipélago de Cabo Verde, na costa oeste da África. Atualmente, há 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades a bordo. Dois passageiros foram transferidos para Joanesburgo: um morreu e o outro permanece hospitalizado.
Cabo Verde conduz uma operação para evacuar três pessoas infectadas para a capital, Praia. O navio permanece ancorado próximo ao porto desde domingo.
Na véspera, a OMS já havia levantado a suspeita de transmissão inter-humana a bordo do MV Hondius — confirmação que chegaria nesta quarta-feira com a identificação oficial da cepa andina pelas autoridades sul-africanas e suíças.
Ilhas Canárias vedam atracamento
Na terça-feira (5), a OMS havia anunciado que o MV Hondius se dirigiria a um porto espanhol. Nesta quarta, porém, o governo regional das Ilhas Canárias declarou oposição ao atracamento da embarcação, depois que o Ministério da Saúde espanhol indicou a intenção de ancorar em Tenerife. O impasse deixa o navio sem destino confirmado, aprofundando a crise humanitária a bordo.
Risco para a população
O Ministério da Saúde suíço avaliou que o risco para a população local é baixo e considerou improvável o surgimento de novos casos no país. A transmissão da variante andina, embora possível entre humanos, exige contato próximo e é rara — o que, segundo as autoridades, torna o cenário de disseminação comunitária pouco provável.
Dois dias antes, a OMS ainda classificava o risco como baixo e descartava restrições de viagem — avaliação que o avanço do surto e a confirmação da cepa andina obrigaram a revisar.
