Política

Lula chama Trump de ‘imperador’ e cobra reunião da ONU sobre o Irã

Em entrevista à Der Spiegel, presidente diz que o mundo está 'prestes a se tornar um campo único de batalha'
Retrato editorial: Lula critica Trump sobre guerra no Irã em contexto da ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Donald Trump “não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo” e que o líder americano não foi eleito “imperador do mundo”. As declarações foram dadas em entrevista publicada nesta quinta-feira (16) pela revista alemã Der Spiegel.

A entrevista veio a público no mesmo dia em que Lula embarcou para a Europa, com agenda na Alemanha, Espanha e Portugal entre os dias 17 e 21 de abril.

O tom adotado por Lula não é novidade. Seis dias antes, em Sorocaba, Lula já havia evocado sua ‘descendência com Lampião’ para avisar Trump que o Brasil não se intimida com ameaças — padrão que se repete agora na entrevista ao Der Spiegel. Em julho de 2025, após o tarifaço americano ao Brasil, o presidente usou linguagem semelhante e a Casa Branca rebateu, afirmando que Trump não estava “tentando ser imperador do mundo”.

Na entrevista desta quinta, Lula foi além da retórica e detalhou uma tentativa frustrada de articulação diplomática: afirmou ter pedido aos presidentes da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin, e da França, Emmanuel Macron, que convocassem uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir o conflito com o Irã — mas disse que ninguém “deu ouvidos”.

A declaração ocorre num momento de escalada direta. Trump descartou qualquer cessar-fogo com o Irã e anunciou intensificação dos bombardeios nas próximas semanas, cenário que embasa a preocupação explicitada pelo presidente brasileiro. “Não pode ser que Trump comece uma guerra com o Irã e que quem acabe pagando a conta sejam os pobres da África ou da América Latina, que terão de gastar mais dinheiro com feijão, carne e verduras”, declarou Lula.

Em março, Lula já alertava que os ataques americanos ao Irã haviam quase dobrado o preço do barril de petróleo — o mesmo argumento que usa agora ao traçar o impacto da guerra sobre as populações mais pobres.

Lula também pediu que o secretário-geral da ONU, António Guterres, convoque uma Assembleia Geral extraordinária para que líderes mundiais “prestem contas”. E defendeu a reforma do Conselho de Segurança para incluir representantes permanentes da África, do Oriente Médio e países como Brasil e Alemanha. “Como explicar que justamente os cinco membros permanentes sejam os maiores produtores de armas?”, questionou.

Petrobras, Cuba e a disputa eleitoral

Questionado sobre uma possível ajuda energética a Cuba, Lula afirmou que o Brasil optou por não enviar petróleo ou derivados ao país caribenho para proteger a Petrobras, cujas ações são negociadas na bolsa de Nova York. Disse, porém, que o Brasil pode enviar “medicamentos e alimentos” e que é preciso “ajudar Cuba a se tornar independente do petróleo”.

Sobre a reeleição em outubro, Lula não confirmou a candidatura. Afirmou que a decisão depende da convenção do PT, mas que está “se preparando” para a possibilidade. “Estou com a cabeça e o corpo 100% em forma. Quero viver até os 120 anos”, declarou.

Empatado com Flávio Bolsonaro nas pesquisas Datafolha e Quaest, Lula disse que respeitará o resultado das urnas. “O Brasil continuará sendo um país democrático. Não há lugar aqui para fascistas, para pessoas que não acreditam na democracia”, afirmou.

A entrevista foi publicada na véspera da viagem ao continente europeu. No domingo (19), Lula participará da abertura da Feira de Hannover ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz — evento que terá o Brasil como país-parceiro em 2026. Lula também comentou a declaração de Merz após visitar Belém durante a COP30, quando o líder alemão disse estar “feliz” em retornar à Alemanha, gerando desconforto entre autoridades brasileiras.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
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