Política

Com aval de Lula, Câmara vota regulação de terras raras antes de reunião com Trump

Aprovação do marco regulatório pode ser trunfo de Lula nas negociações com os Estados Unidos sobre minerais estratégicos
Regulamentação terras raras: Lula negocia minerais críticos com suporte da Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados deve votar nesta quarta-feira (6) o projeto que regulamenta a exploração de minerais críticos e estratégicos no Brasil. O presidente da Casa, Hugo Motta, confirmou a inclusão da matéria na pauta.

O sinal verde veio diretamente do Planalto: Lula sinalizou ao relator, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que a bancada do PT não trabalharia contra o texto — e que o projeto tinha o apoio do Executivo.

A aprovação interessa ao governo por razões estratégicas: Lula parte para os Estados Unidos na quinta (7) para encontro com Donald Trump, e quer chegar com o marco regulatório em mãos como instrumento de negociação.

O que o projeto prevê

O texto autoriza a União a criar um fundo garantidor de natureza privada, do qual participará como cotista com até R$ 2 bilhões. O BNDES estima que o total necessário para destravar os projetos seja de R$ 5 bilhões — e outras empresas com receita oriunda de pesquisa, lavra, beneficiamento e transformação dos minerais também poderão ser cotistas.

A proposta cria créditos fiscais vinculados à agregação de valor, disponíveis para empresas que firmem contratos de longo prazo — mínimo de cinco anos — em projetos considerados prioritários. O percentual do crédito será proporcional ao quanto a empresa agrega na cadeia produtiva dos minerais estratégicos.

Desestímulo à exportação bruta

O relator Arnaldo Jardim deixou claro que o texto cria condicionantes para desestimular a exportação de commodities brutas e incentivar o processamento no Brasil. A proposta abre a possibilidade de criação de impostos para inibir exportações in natura, embora não os defina diretamente.

O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas conta com apenas uma mina em operação — cenário que explica a pressão política para aprovar a regulamentação antes do encontro Lula-Trump, previsto para quinta-feira (7).

Trunfo diplomático para Washington

A corrida para aprovar o projeto tem motivação diplomática explícita. Para o governo, é fundamental que Lula chegue aos Estados Unidos com o marco regulatório aprovado — ou ao menos avançando — para deixar claro o que o Brasil aceita e o que não aceita em acordos sobre minerais estratégicos com os americanos.

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, ligou pessoalmente para Jardim na tarde de terça-feira (5) para comunicar o apoio do Executivo ao relatório. A urgência da votação já foi aprovada, o que significa que a proposta vai direto ao Plenário, sem passar pelas comissões temáticas.

O pano de fundo geopolítico é relevante: a aquisição da Serra Verde por uma empresa americana por US$ 2,8 bilhões e os questionamentos no STF sobre a constitucionalidade da operação tornaram a regulamentação uma urgência política — não apenas econômica.

As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos essenciais para produtos de alta tecnologia, de smartphones a turbinas eólicas. Apesar do nome, não são exatamente raras: o desafio está na baixa concentração nos depósitos, o que torna a extração economicamente exigente e justifica a aposta em créditos fiscais para estimular o processamento local.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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