O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um alerta direto nesta quinta-feira (30): o fechamento do Estreito de Ormuz está “asfixiando a economia mundial”. A declaração foi feita à imprensa e mira as consequências do conflito entre Estados Unidos e Irã, que desde fevereiro transformou uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta em zona de guerra comercial.
Ormuz permanece bloqueada ao tráfego regular. Por ali passava, antes da crise, um quinto de todos os hidrocarbonetos consumidos no mundo.
A crise tem origem no ataque israelense-americano que deflagrou a guerra em 28 de fevereiro. Em represália, o Irã fechou o Estreito de Ormuz — e os Estados Unidos responderam bloqueando os portos iranianos a partir de meados de abril.
O bloqueio americano aos portos iranianos teve início em 13 de abril, quando o Comando Central dos EUA passou a barrar embarcações com origem ou destino ao Irã — a escalada que levou à situação descrita por Guterres nesta quinta. Mais detalhes sobre essa etapa do conflito estão em EUA impõem bloqueio naval em Ormuz e Irã ameaça portos do Golfo.
Um cessar-fogo foi firmado em 8 de abril, mas não foi suficiente para destravar o impasse comercial. Em 17 de abril, mesmo após Teerã anunciar a reabertura do estreito, o Irã voltou a ameaçar novo fechamento diante da recusa de Trump em retirar o bloqueio naval — ciclo de tensões que explica o impasse ainda vigente. O histórico dessas ameaças está documentado em Irã ameaça fechar Ormuz se bloqueio naval dos EUA continuar.
Com as negociações estagnadas, o tráfego marítimo no Estreito segue em níveis mínimos — e os mercados globais de energia acumulam pressão crescente.
Maior crise energética da história
O alerta de Guterres não está isolado. No mesmo dia, o diretor da Agência Internacional de Energia foi além e declarou que o mundo atravessa “a maior crise energética de sua história” — diagnóstico que ecoa e reforça o alerta sobre o impacto do fechamento de Ormuz. A análise completa da AIE está em AIE declara que mundo vive a maior crise energética da história.
No mercado de commodities, o reflexo é imediato: o petróleo Brent já ultrapassou a marca de US$ 125 o barril após Trump sinalizar que manteria o bloqueio. A combinação de rota fechada, negociações paralisadas e liderança americana inflexível cria um cenário de incerteza prolongada — sem prazo definido para resolução.
Para a economia global, o impacto vai além do preço do barril. Cadeias de abastecimento de países dependentes do petróleo do Golfo Pérsico enfrentam instabilidade logística e financeira. A ONU não divulgou estimativas de perdas, mas o tom de urgência da declaração de Guterres indica que o organismo enxerga o impasse como ameaça sistêmica — não apenas regional.
