O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, declarou nesta quinta-feira (30) que o mundo atravessa “a maior crise energética de sua história”. O diagnóstico foi apresentado em Paris, durante conferência do organismo dedicada às energias renováveis.
O conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã — passagem por onde circulam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito mundiais — derrubaram o abastecimento global e dispararam os preços. O barril de petróleo Brent chegou a US$ 126 (R$ 629), maior nível em quatro anos.
Ormuz bloqueado, barril em alta e pressão global
O prolongado fechamento do Estreito de Ormuz ameaça provocar escassez de combustíveis a longo prazo. Além do bloqueio iraniano, os Estados Unidos impõem um cerco naval aos portos do Irã — combinação que empurrou os mercados de energia para patamares inéditos desde 2022.
“Os mercados de petróleo e gás terão grandes dificuldades”, afirmou Birol durante o fórum parisiense, acrescentando que o encarecimento está “colocando muita pressão em muitos países”.
No início de abril, Birol já havia classificado o bloqueio do Estreito de Ormuz como mais grave do que as crises de 1973, 1979 e 2022 somadas — e o cenário desde então só se aprofundou.
Dois dias antes da conferência em Paris, o Banco Mundial havia projetado alta de 24% nos preços de energia em 2026, com o Brent como principal vetor de pressão sobre economias emergentes.
O episódio também reacende o debate sobre a dependência estrutural dos combustíveis fósseis. Assim como a invasão russa da Ucrânia em 2022, a crise atual expõe os riscos de uma matriz energética global ainda atrelada ao petróleo e ao gás.
COP31 e a urgência pela energia limpa
No mesmo fórum em Paris, o presidente da cúpula climática COP31 — que será realizada na Turquia ao fim do ano —, Murat Kurum, defendeu a aceleração da transição para as energias limpas. “Agora sabemos claramente que a economia mundial precisa mudar seu modelo energético. E a etapa mais crucial consiste em acelerar a transição para as energias limpas”, afirmou.
No mesmo fórum, o chefe de clima da ONU, Simon Stiell, defendeu que a crise dos fósseis torna a transição para renováveis uma necessidade econômica — argumento que convergiu diretamente com o do presidente da COP31.
Para Birol, a crise atual deixa pouca margem de escolha: sem acelerar a diversificação das fontes de energia, a volatilidade geopolítica continuará ditando o ritmo da economia global. A dependência dos combustíveis fósseis, exposta agora pelo conflito no Oriente Médio, é o mesmo nó estrutural que a guerra na Ucrânia havia revelado quatro anos atrás.
