Política

STF condena SP a indenizar fotógrafo cegado por bala de borracha em protesto

Treze anos após disparo de PM em manifestação de 2013, Supremo reconhece responsabilidade civil do Estado
Fotógrafo com câmera e STF: retrato da justiça para fotógrafo cegado por bala de borracha em protesto

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou o estado de São Paulo a pagar indenização e pensão ao fotojornalista Sérgio Silva, que perdeu a visão do olho esquerdo após ser atingido por uma bala de borracha disparada por um policial militar durante um protesto em 2013.

A decisão chegou treze anos depois do disparo e reverteu duas negativas do Tribunal de Justiça de São Paulo, que havia mantido o entendimento de que o fotógrafo teria assumido os riscos do próprio ofício.

Para condenar São Paulo, os ministros do STF aplicaram a chamada Teoria do Risco Administrativo, consolidada na jurisprudência da Corte: “O Estado é responsável, na esfera cível, por morte ou ferimento decorrente de operações de segurança pública.”

A batalha judicial de Sérgio Silva percorreu três instâncias ao longo de mais de uma década. Em 2017, a 9ª Câmara de Direito Público do TJ-SP manteve a sentença de primeira instância, na qual o juiz Olavo Zampol Júnior concluiu que o fotógrafo havia assumido os riscos da profissão ao se posicionar entre manifestantes e policiais.

Em 2023, o mesmo tribunal voltou a negar o pedido, reafirmando o entendimento. O caso só chegou ao STF após recurso, e foi ali que o desfecho se inverteu.

Precedente da Corte

A decisão desta semana não é inédita no STF. Em junho de 2021, a mesma Corte já havia determinado que o estado de São Paulo indenizasse o fotógrafo Alex Silveira, cegado por bala de borracha disparada por policial em uma manifestação de professores no ano 2000. O caso de Sérgio Silva agora se soma a esse precedente, reforçando a linha jurisprudencial sobre responsabilidade estatal em operações de força.

Fotógrafo celebra liberdade de imprensa

Em sua conta no Instagram, Sérgio Silva comemorou a decisão e fez questão de conectar o resultado ao tema da liberdade de imprensa. Para o fotojornalista, a condenação do estado vai além da reparação pessoal — representa um reconhecimento da proteção que deve ser garantida a profissionais que registram manifestações e ações policiais.

O caso expõe uma tensão que permanece atual no Brasil: o risco enfrentado por fotojornalistas em coberturas de protestos e a responsabilidade do Estado quando agentes públicos causam danos a trabalhadores da imprensa no exercício da função.

O governo do estado de São Paulo foi procurado para comentar a decisão, mas não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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