Política

Imprensa mundial chama rejeição de Messias ao STF de ‘derrota histórica’ para Lula

Washington Post, Bloomberg e Reuters destacam placar inédito em mais de 130 anos da história brasileira
Rejeição Jorge Messias STF: imprensa internacional cobre derrota histórica da nomeação no Senado

O Senado brasileiro rejeitou, na quarta-feira (29), a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal por 42 votos a 34 — e a repercussão foi imediata além das fronteiras.

Washington Post, Bloomberg, Reuters, SIC Notícias e Infobae convergiram no diagnóstico: o resultado é uma derrota histórica para o presidente Lula, a primeira rejeição de um nome ao STF em mais de 130 anos.

O Washington Post foi direto: o Senado impôs um “duro golpe político” a Lula, sublinhando o caráter inédito do episódio na história republicana do país. A Bloomberg chamou o placar de “duro revés” e contextualizou o perfil do indicado — Messias é o principal assessor jurídico de Lula e um proeminente evangélico, dois atributos que pesaram na escolha presidencial, mas não foram suficientes para reverter a resistência no plenário.

A Reuters reforçou o tom ao classificar a derrota como “pesada” e expôs a fissura interna: a indicação teria irritado o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que desde o início pressionava por outro nome. A portuguesa SIC Notícias e o argentino Infobae completaram o coro, lembrando que Lula havia anunciado Messias para a vaga em novembro e que a resistência de Alcolumbre nunca foi disfarçada.

O placar adverso no plenário surpreendeu porque horas antes a CCJ havia aprovado Messias por 16 a 11, alimentando o otimismo do Planalto antes da virada que deixou a imprensa internacional atônita.

A Bloomberg acrescentou que a derrota tende a agravar as tensões entre o governo e o Legislativo — relação já fragilizada às vésperas de uma disputa presidencial em que Lula busca a reeleição.

O Infobae destacou que o episódio obriga Lula a apresentar um novo nome ao STF, que terá de passar novamente por todo o processo de avaliação e votação no Senado. O site argentino também apontou que o cenário político foi diretamente influenciado pela proximidade das eleições presidenciais.

O governo reagiu com indignação ao resultado, com o ministro Guilherme Boulos denunciando uma “aliança entre bolsonarismo e chantagem política” — leitura que contrasta com o tom predominantemente institucional adotado pelos veículos estrangeiros ao cobrir o episódio.

Para a imprensa internacional, a narrativa dominante foi a de crise de governabilidade: um presidente fragilizado, uma base legislativa rachada e um processo de indicação ao STF que expôs, diante do mundo, os limites da articulação política do governo Lula.