O advogado-geral da União, Jorge Messias, enfrenta sua sabatina no Senado nesta quarta-feira (29) para ocupar a vaga no Supremo Tribunal Federal deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Ao lado dele estará o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, em um gesto incomum para a pasta: presença como ato de amizade e apoio pessoal à indicação feita pelo presidente Lula.
O cenário, no entanto, está longe de ser tranquilo. A um dia da votação, o Planalto conta os votos com cautela, e a oposição se articula para barrar o nome do AGU antes que seja tarde.
41 votos em disputa, margem ainda incerta
Messias precisa de pelo menos 41 senadores favoráveis para ser aprovado. No Palácio do Planalto, a avaliação predominante é que o AGU será confirmado — mas não com folga. Os mais otimistas falam em 48 votos. Ao mesmo tempo, uma ala mais conservadora dentro do governo alerta que qualquer erro de articulação nos últimos dias pode transformar a operação em derrota.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não sinalizou que irá receber Messias pessoalmente, mas reiterou que não vai atrapalhar a votação. Aliados do senador amapaense, porém, contradizem o otimismo do Planalto: segundo eles, os votos firmes ainda não estão garantidos e o jogo permanece em aberto.
Na semana passada, a CCJ leu o relatório favorável do senador Weverton Rocha — aval formal que abriu caminho para a sabatina desta quarta, mas que não garante os 41 votos necessários para a aprovação no plenário. Desde o envio da indicação ao Senado, no início de abril, o Planalto apostou na neutralidade de Alcolumbre como condição suficiente para viabilizar a vaga — aposta que agora enfrenta seu teste mais crítico.
Evangélicos no centro da disputa
O ponto mais sensível da articulação está na bancada de senadores evangélicos. Messias é evangélico, e essa identidade religiosa o tornaria naturalmente próximo de parte desse grupo — o que preocupa a oposição.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, convocou a oposição para uma reunião nesta terça-feira (28) com o objetivo de evitar traições de última hora, especialmente entre os parlamentares do segmento religioso que estariam inclinados a votar favoravelmente ao AGU.
A estratégia opositora mira exatamente o elo mais frágil da base governista: se os votos evangélicos migrarem para o lado de Messias por afinidade de fé, a rejeição torna-se improvável. Por isso, Flávio Bolsonaro busca fechar o bloco antes da sabatina, tentando convencer aliados de que o voto no indicado de Lula equivale a fortalecer o governo no STF.
Do lado do Planalto, a presença de Múcio — um nome respeitado no Senado e sem perfil ideológico inflamado — é lida como um sinal de que o governo aposta em temperança para neutralizar resistências e garantir a maioria necessária.
