O agente norte-americano Michel Myers deixou o Brasil na quarta-feira (23) após o Itamaraty retirar suas credenciais como resposta às medidas do governo Trump contra um delegado brasileiro.
Myers atuava junto à Polícia Federal na troca de informações desde 2024, dentro de um acordo de cooperação bilateral. A retirada das credenciais seguiu o mesmo procedimento verbal adotado pelos Estados Unidos ao expulsar o delegado brasileiro.
A saída de Myers é o desdobramento direto de uma escalada diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano anunciou que Donald Trump ordenou a expulsão de um delegado brasileiro que havia atuado no caso da prisão de Alexandre Ramagem (PL-RJ) — a centelha que acendeu o impasse entre as duas capitais.
Na véspera da partida do agente, o Itamaraty havia formalizado a resposta ao governo Trump retirando as credenciais de Myers — o passo que culminou na sua saída do país na quarta-feira (23).
O diretor da PF, Andrei Rodrigues, confirmou à GloboNews que a medida foi adotada de forma verbal, espelhando exatamente o procedimento utilizado pelas autoridades norte-americanas no caso do delegado brasileiro.
Um segundo cidadão norte-americano também foi alvo de medidas de reciprocidade: teve o acesso à Polícia Federal suspenso, mas, por enquanto, permanece no Brasil. Sua identidade não foi divulgada pelas autoridades.
A informação sobre a saída de Myers foi publicada originalmente pelo jornal Valor Econômico e confirmada pelo diretor da PF à GloboNews.
O princípio da reciprocidade — fundamento invocado pelo Itamaraty — estabelece que um Estado tende a tratar outro da mesma forma como é tratado nas relações internacionais, impedindo que apenas um lado se beneficie das regras do jogo diplomático.
O episódio reacende o debate sobre os limites da cooperação policial bilateral e sobre como acordos firmados entre países podem ser suspensos quando a relação política entre os governos se deteriora.
