O Irã confirmou nesta quinta-feira (23) ter recebido os primeiros recursos financeiros gerados pelo sistema de pedágio imposto a navios que cruzam o Estreito de Ormuz.
O anúncio foi feito pelo vice-presidente do Parlamento iraniano, sem que os valores arrecadados ou as tarifas cobradas fossem tornados públicos.
O estreito permanece fechado por forças iranianas — o principal corredor marítimo de petróleo do mundo — no contexto da guerra no Oriente Médio e da ruptura do cessar-fogo com os Estados Unidos.
O pedágio iraniano no Estreito de Ormuz foi anunciado como medida permanente já durante a vigência do cessar-fogo com Washington. Quando o acordo entrou em vigor, Teerã declarou que os recursos seriam destinados à reconstrução do país, devastado pelos meses de conflito.
O Irã chegou a reabrir o estreito na semana passada como gesto de cumprimento da trégua, mas o canal foi bloqueado novamente após os Estados Unidos recusarem o pedido iraniano de encerrar o bloqueio naval norte-americano na entrada da passagem.
Trump declara controle total do estreito
Nesta quinta, o presidente norte-americano Donald Trump declarou que os Estados Unidos detêm “o controle total do Estreito de Ormuz” e ordenou que seus navios ataquem qualquer embarcação iraniana flagrada lançando minas navais na passagem.
A declaração eleva o tom da disputa pelo controle de uma das rotas estratégicas mais críticas do comércio global, por onde escoa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
Além da batalha de declarações, o Irã anunciou na quarta-feira (22) ter apreendido duas embarcações no estreito e divulgou, nesta quinta, um vídeo com imagens do que afirma ser o momento de uma das abordagens — sinalizando que Teerã está disposto a agir além das ameaças verbais.
As apreensões adicionam uma dimensão operacional à crise: o sistema de pedágio já não é apenas cobrança financeira, mas também instrumento de controle físico sobre o tráfego marítimo.
Um regime de triagem sobre o estreito
A confirmação do primeiro repasse financeiro marca um novo estágio na crise: o sistema deixou de ser ameaça e se tornou realidade operacional, com receita documentada e anunciada pelo próprio Parlamento iraniano.
