Saúde

Reino Unido bane cigarro permanentemente para geração nascida após 2008

Parlamento aprova lei histórica que impede compra vitalícia de tabaco com base em data de nascimento
Adolescentes em ambiente ensolarado representando a proibição de cigarro geração Reino Unido

O parlamento britânico aprovou nesta terça-feira uma lei que proíbe permanentemente a venda de cigarros para todos os nascidos a partir de 2009 — independentemente da idade que tenham no futuro.

A medida, considerada uma das mais ambiciosas do mundo no combate ao tabagismo, eleva progressivamente a idade mínima para compra de tabaco até tornar a aquisição ilegal para toda uma geração.

A lógica da lei é direta e de efeito duradouro: a idade mínima para comprar cigarro no Reino Unido sobe a cada ano. O resultado prático é que quem nasceu a partir de 1º de janeiro de 2009 jamais poderá adquirir tabaco legalmente — mesmo após completar 18 anos.

Virada na política antitabaco britânica

A aprovação representa uma inversão significativa na estratégia do país. Durante anos, o Reino Unido chegou a incentivar o uso de cigarros eletrônicos como alternativa de redução de danos para fumantes adultos — uma política que o diferenciava de boa parte da Europa.

O aumento expressivo do consumo de vapes entre jovens, os sinais de dependência precoce de nicotina e as crescentes preocupações com os efeitos sobre a saúde forçaram uma reavaliação. O cerco ao fumo se fecha agora também sobre os dispositivos eletrônicos.

O Departamento de Saúde britânico declarou que a meta é construir uma geração inteira de não fumantes — um objetivo que, se alcançado, transformaria o perfil epidemiológico do país nas próximas décadas.

A decisão britânica ecoa uma tendência global de endurecimento das regras sobre tabaco e nicotina, especialmente voltadas para os mais jovens. O Brasil, sem legislação equivalente, já sente os efeitos do avanço dos cigarros eletrônicos entre adolescentes.

O endurecimento britânico reflete uma realidade que o Brasil também enfrenta: dados do IBGE mostram que quase 3 em cada 10 adolescentes brasileiros já experimentaram cigarro eletrônico, com crescimento superior a 300% no uso recente em cinco anos.

Para especialistas em saúde pública, a lei aprovada no Reino Unido pode servir de referência para países que buscam romper o ciclo de dependência nicotínica nas novas gerações. A questão central não é restringir adultos que já fumam — é impedir que uma nova geração sequer comece.