O governo federal anunciou que vai continuar adotando medidas para elevar a arrecadação e cumprir as metas fiscais dos próximos anos.
A sinalização consta no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, encaminhado ao Congresso Nacional nesta semana.
O objetivo declarado é garantir uma recomposição “contínua e gradual” do superávit das contas públicas para estabilizar a trajetória da dívida no médio prazo.
Três anos de aumento de impostos sem superávit
Nos três primeiros anos do mandato de Lula, a equipe econômica elevou uma série de tributos na tentativa de melhorar as contas públicas — mas ainda não conseguiu retornar ao saldo positivo.
A estratégia agora é seguir na mesma direção. O governo informou que medidas voltadas à “recuperação da base arrecadatória” continuarão sendo implementadas para atingir as metas fixadas para os próximos anos.
O resultado mais visível dessa política foi o crescimento da carga tributária em 2024, que bateu recorde e atingiu o maior nível em mais de duas décadas, segundo a Receita Federal. O Tesouro Nacional estimou que o indicador chegou a 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado — aumento atribuído quase inteiramente à elevação de tributos federais.
O mesmo PLDO 2027 traz números concretos para essa ambição: o governo propõe meta de superávit de R$ 73,2 bilhões para 2027 — o dobro da meta de 2026 —, apostando que os aumentos de impostos já implementados e a redução de subsídios tributários aprovada pelo Congresso em 2025 serão suficientes para fechar as contas no azul.
Salário mínimo e perspectivas para o próximo ano
Entre as projeções do PLDO 2027, o governo estima que o salário mínimo suba para R$ 1.717 em janeiro de 2027, com repasse a partir de fevereiro.
O governo projeta rombo nas contas em todo o terceiro mandato do presidente Lula, com a retomada do saldo positivo prevista somente para 2027 — a chamada meta de resultado primário positivo.
Os dados mais recentes sugerem que a estratégia começa a produzir efeitos: em fevereiro, a arrecadação federal somou R$ 222,1 bilhões, recorde histórico para o mês em 32 anos de série — crescimento real de 5,7% na comparação com o mesmo período de 2025.
O debate sobre o ajuste fiscal segue tenso no Congresso, que precisará analisar e votar o PLDO antes da aprovação do Orçamento de 2027.
