A arrecadação do governo federal somou R$ 222,1 bilhões em fevereiro de 2026, o maior valor já registrado para o mês em 32 anos de série histórica da Receita Federal.
O resultado supera em 5,7% real o mesmo período de 2025, quando foram arrecadados R$ 210,2 bilhões — já corrigidos pela inflação.
Contribuição previdenciária, PIS/Cofins, IRRF-Capital e IOF são os tributos que mais impulsionaram o recorde, segundo a Receita Federal.
No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, a arrecadação federal totalizou R$ 550,2 bilhões em valores corrigidos pela inflação — crescimento real de 4,41% sobre o primeiro bimestre de 2025, quando o total foi de R$ 526,9 bilhões. O bimestre também é recorde histórico.
O IOF figura entre os responsáveis pelo desempenho após ter sua alíquota elevada no ano passado. O imposto foi um dos instrumentos usados pela gestão Haddad para ampliar a arrecadação — e agora aparece entre os principais fatores do recorde de fevereiro, ao lado do crescimento econômico que o próprio ministério reivindica como legado.
Crescimento real acima da inflação
A alta de 5,7% é considerada real porque já desconta a variação de preços do período. O IPCA de fevereiro fechou em 0,70%, acima do esperado pelo mercado, com pressão da educação no índice — ainda assim, a arrecadação cresceu em ritmo muito superior ao das preços.
A Receita Federal atribui o resultado ao crescimento da economia brasileira combinado com os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos pelo governo Lula.
O recorde chega em momento estratégico para o Executivo. A meta fiscal para 2026 prevê superávit primário de 0,25% do PIB, equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões — e o governo conta com a expansão da arrecadação como um dos pilares para cumprir esse objetivo.
A regra do arcabouço fiscal, no entanto, permite que o governo exclua do cálculo até R$ 57,8 bilhões em despesas. Esse montante pode ser destinado ao pagamento de precatórios — dívidas do poder público reconhecidas por sentenças judiciais.
O bom desempenho do bimestre de abertura de 2026 é lido como sinal positivo para o cumprimento das metas ao longo do ano. Nos últimos exercícios, o governo tem dependido de incrementos na arrecadação para compensar o crescimento das despesas obrigatórias e fechar as contas dentro dos limites estabelecidos pelo marco fiscal vigente.
