O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, para defender os biocombustíveis brasileiros e questionar critérios ambientais da União Europeia que, segundo ele, penalizam produtos com menor pegada de carbono.
As declarações foram feitas nesta segunda-feira (20) no Encontro Econômico Brasil-Alemanha, evento paralelo à maior feira industrial do mundo, onde o Brasil participa como país parceiro.
No discurso, Lula propôs uma comparação direta entre biocombustíveis brasileiros e combustíveis europeus para medir as emissões de CO₂ — um desafio implícito à narrativa ambiental do bloco.
Segundo o presidente, os critérios adotados pela União Europeia ignoram fatores como o uso de fontes renováveis na produção e a eficiência do etanol de cana-de-açúcar, gerando distorções na classificação ambiental. Na prática, afirmou, isso pode levar combustíveis com menor emissão real de poluentes a serem rotulados como menos sustentáveis do que os europeus — uma inversão que prejudica as exportações brasileiras.
Matriz limpa como argumento competitivo
Lula destacou que cerca de 90% da eletricidade brasileira vem de fontes renováveis e posicionou o país como referência global em energia limpa. “Quem quiser produzir com energia limpa e mais barata, procure o Brasil”, afirmou.
O presidente também mencionou testes com caminhões movidos a biocombustíveis apresentados na feira, com desempenho equivalente ao diesel convencional e redução significativa nas emissões. Para Lula, o etanol e o biodiesel são diferenciais competitivos que o Brasil precisa valorizar nas negociações internacionais.
A visita ocorre em momento estratégico para a diplomacia comercial brasileira. Lula pediu apoio alemão para consolidar o acordo entre Mercosul e União Europeia, após décadas de negociação, e defendeu maior engajamento do setor privado para garantir sua implementação definitiva.
A Alemanha é o principal parceiro comercial do Brasil na Europa. Mais de 1.200 empresas alemãs operam no país, e o presidente defendeu o aprofundamento da cooperação industrial entre os dois lados.
Economia e agenda europeia
No campo econômico, Lula apresentou o país em “momento favorável”, citou a aprovação da reforma tributária e um programa de cerca de US$ 350 bilhões em investimentos em infraestrutura e inovação.
Na véspera, Lula havia aberto oficialmente a Hannover Messe ao lado do chanceler Friedrich Merz, com 140 empresas brasileiras presentes — palco que conferiu peso à ofensiva diplomática pelo reconhecimento dos biocombustíveis nacionais.
A defesa do etanol em Hannover integra uma agenda europeia mais ampla: na mesma viagem, Lula passou pela Espanha e deve encerrar o giro em Portugal, num roteiro desenhado para reposicionar o Brasil diante do bloco em meio às negociações do acordo Mercosul–UE.
