O petróleo voltou a disparar nesta segunda-feira (20) depois que o Irã reverteu a decisão de reabrir o Estreito de Ormuz e o presidente Donald Trump confirmou que o bloqueio naval americano aos portos iranianos segue em vigor.
O WTI, referência americana, avançou 5,6%, para US$ 87,20 o barril. O Brent subiu 5,3%, para US$ 95,16 — revertendo as quedas de mais de 9% registradas na sexta-feira (17).
A nova escalada ocorre a dois dias do vencimento do cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã, previsto para expirar na quarta-feira (22).
O recuo iraniano pegou os mercados de surpresa. Na sexta-feira (17), o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, havia declarado publicamente que o Estreito de Ormuz estava “completamente aberto” a navios comerciais — declaração que derrubou o petróleo em mais de 9% e levou as bolsas americanas a recordes históricos.
Trump reagiu nas redes sociais afirmando que o bloqueio seguia “em pleno vigor” até um acordo definitivo sobre a guerra, embora sinalizasse que “isso deve acontecer muito rapidamente, já que a maioria dos pontos já foi negociada”.
No domingo (19), o Irã já havia recuado da reabertura do Estreito de Ormuz após Trump confirmar que o bloqueio naval seguiria em vigor — movimento que antecedeu a nova alta desta segunda-feira. No mesmo dia, os EUA apreenderam um navio cargueiro de bandeira iraniana que tentava contornar o bloqueio; Teerã classificou a ação como “pirataria” e prometeu resposta breve.
Bolsas asiáticas sobem mesmo com crise no Golfo
Apesar da incerteza no Golfo Pérsico, a maioria das bolsas asiáticas avançou na mesma sessão. O Nikkei 225 subiu 1%, para 59.045 pontos; o Kospi sul-coreano ganhou 1,1%; o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,8%; e o Shanghai Composite fechou em alta de 0,6%. Em Taiwan, o Taiex liderou com valorização de 1,4%. O índice australiano S&P/ASX 200 ficou praticamente estável em 8.943 pontos.
O Estreito de Ormuz é uma das hidrovias mais estratégicas do planeta, responsável pelo escoamento de grande parte do petróleo produzido no Oriente Médio. Seu fechamento pressiona diretamente os preços de combustíveis e, em cascata, produtos transportados por veículos — podendo afetar até juros de cartão de crédito e prestações de financiamento imobiliário.
Na sexta-feira, antes da reviravolta, os mercados americanos já acumulavam forte recuperação. O S&P 500 bateu recorde histórico de 7.126,06 pontos com alta de 1,2%, o Dow Jones avançou 1,8%, para 49.447 pontos, e o Nasdaq subiu 1,5%. Desde o fundo registrado no fim de março, o índice americano acumula valorização superior a 12%, sustentado pela esperança de um desfecho negociado para o conflito.
O bloqueio naval americano aos portos iranianos, anunciado em 13 de abril, já havia empurrado o barril acima de US$ 100 pela primeira vez no conflito — e agora volta a pressionar os mercados com Trump reafirmando que a medida segue “em pleno vigor”. Com o cessar-fogo prestes a expirar e as negociações em compasso de espera, analistas observam que o otimismo recente pode refletir menos convicção e mais um impulso que se retroalimenta.
