O dólar recua 0,02% nesta segunda-feira (20), cotado a R$ 4,9848 às 9h21, em sessão marcada por nova escalada de tensão no Oriente Médio.
Os EUA interceptaram um navio cargueiro iraniano no Golfo de Omã no domingo (19), ameaçando o cessar-fogo bilateral que expira nesta quarta-feira (22).
O Irã respondeu com ameaças de retaliação e colocou em dúvida sua participação na rodada de negociações de paz prevista para esta segunda no Paquistão.
Ormuz: reabertura, bloqueio e novo impasse
Na sexta-feira (17), o Irã havia anunciado a reabertura total do Estreito de Ormuz para embarcações enquanto durasse a trégua. O preço do petróleo despencou após o anúncio, e dados do site de monitoramento Kpler já confirmavam que a circulação pela via havia sido retomada. Três petroleiros iranianos deixaram o Golfo do Irã carregando 5 milhões de barris de petróleo bruto — os primeiros carregamentos desde o bloqueio americano aos portos iranianos, em 13 de abril.
Na sexta, quando o Irã anunciou a reabertura e o cessar-fogo entre Israel e Líbano entrou em vigor, o dólar caiu a R$ 4,98 — o mesmo patamar em que opera nesta segunda.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que “a passagem para todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz é declarada completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo”. A decisão veio após semanas de impasse: as Forças Armadas dos EUA mantêm bloqueio naval na entrada do estreito, e o Irã chegou a reabrir e depois voltou a fechar a via marítima.
Líbano e Israel em trégua frágil
Israel e Líbano concordaram, na quinta-feira, com um cessar-fogo de 10 dias, divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA. O objetivo é abrir espaço para negociações de um entendimento permanente de segurança e paz, com prazo que pode ser estendido por consenso entre as partes.
O presidente libanês, Joseph Aoun, classificou as negociações diretas com Israel como “delicadas e cruciais” e afirmou que a prioridade é garantir o cumprimento da trégua. Ainda assim, o Líbano já acusou Israel de violá-la nesta sexta-feira, sinalizando a fragilidade do acordo.
A nova rodada de conversas prevista para esta segunda no Paquistão tem raízes no cessar-fogo de 8 de abril que, há menos de duas semanas, levou o dólar abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos.
Iniciativa internacional e fechamento dos mercados
Em Paris, França e Reino Unido reuniram dezenas de nações para discutir a reabertura do Estreito de Ormuz. A chamada Iniciativa de Liberdade de Navegação Marítima reúne países que não participam diretamente do conflito, mas buscam limitar seus efeitos sobre a economia global. Os EUA não integram a iniciativa.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a missão terá caráter “estritamente defensivo” e só avançará “quando as condições de segurança permitirem”.
Há menos de duas semanas, com o petróleo a US$ 110 e o ultimato de Trump ao Irã prestes a expirar, o dólar operava acima de R$ 5,13. A reversão desde então reflete a sequência de acordos — ainda que frágeis — que reconfigurou o cenário geopolítico regional.
Bolsas internacionais na sexta-feira
Wall Street fechou em alta generalizada: S&P 500 avançou 1,19%, Dow Jones subiu 1,79% e Nasdaq ganhou 1,52%. Na Europa, o STOXX 600 subiu 1,56%, com DAX em alta de 2,27% e CAC 40 ganhando 1,97%. Na Ásia, o quadro foi inverso: Nikkei recuou 1,8% — um dia após atingir recorde histórico —, Hang Seng caiu 0,9% e o índice de Xangai encerrou com leve baixa de 0,1%.
