O preço do petróleo disparou neste domingo (19) após o Irã recuar da reabertura do Estreito de Ormuz e suspender as negociações com os Estados Unidos, lançando o mercado de energia global em nova turbulência.
O barril do WTI avançou 7,2%, a US$ 88,57, enquanto o Brent subiu 6,8%, atingindo US$ 96,58. A alta ocorre em plena crise diplomática — o cessar-fogo entre os dois países expira na quarta-feira (22).
Fim de semana de idas e vindas no Estreito
O mercado reagiu a um fim de semana de tensão crescente no golfo Pérsico. Na sexta-feira (17), o Irã anunciou a reabertura total do Estreito de Ormuz ao tráfego comercial, derrubando os preços do petróleo em mais de 9%.
A trégua durou menos de 24 horas. No sábado (18), Teerã recuou após o presidente Donald Trump confirmar que o bloqueio naval americano aos portos iranianos seguiria em vigor. Durante o fim de semana, a Guarda Revolucionária iraniana chegou a abrir fogo contra embarcações na região.
Neste domingo, a tensão escalou mais. Forças americanas apreenderam um cargueiro com bandeira iraniana que tentou furar o bloqueio. O Comando Militar do Irã classificou a ação como “pirataria” e prometeu retaliar.
Para agravar o cenário, a agência estatal iraniana Irna informou que o Irã não participará da rodada de negociações com os EUA prevista para segunda-feira (20). A suspensão do diálogo amplia o risco de retomada do conflito armado antes do prazo do cessar-fogo.
Preços oscilam com força desde o início do conflito
O conflito entre EUA e Irã teve início em 28 de fevereiro. Antes da guerra, o barril era negociado em torno de US$ 70. Desde então, os preços oscilaram com intensidade, chegando a ultrapassar US$ 119 nos momentos de maior escalada. Na sexta-feira, o WTI fechou a US$ 82,59 e o Brent, a US$ 90,38.
Analistas do setor alertam que quanto mais tempo o Estreito de Ormuz permanecer fechado, maior será a pressão sobre as cotações. Mesmo que um acordo seja firmado para reabrir a passagem, especialistas estimam que pode levar meses até que o fluxo de petróleo volte ao normal e os preços dos combustíveis recuem.
O acúmulo de navios parados, o receio de novas escaladas e os possíveis danos à infraestrutura energética durante o conflito são apontados como fatores que devem atrasar a normalização do mercado global de energia.
