A Snap, empresa por trás do Snapchat, anunciou nesta quarta-feira (15) o corte de cerca de 1.000 funcionários — o equivalente a 16% do seu quadro total, que somava cerca de 5.261 pessoas em dezembro passado.
A companhia cita os avanços em inteligência artificial como um dos principais fatores: com mais de 65% do novo código já produzido por IA, a empresa afirma que consegue operar com equipes menores e agentes automatizados no lugar de pessoas.
As demissões vêm acompanhadas do fechamento de mais de 300 vagas em aberto, como parte de um plano mais amplo de redução de custos operacionais e de remuneração baseada em ações. Segundo a Snap, tarefas críticas estão sendo redistribuídas para equipes mais enxutas e para agentes de IA.
A justificativa ecoa uma tendência que se consolida no setor de tecnologia americano: a Oracle também anunciou milhares de demissões com argumento semelhante — redirecionar recursos humanos para infraestrutura de inteligência artificial.
A reação do mercado foi positiva no curto prazo: as ações da Snap subiam cerca de 8% por volta das 11h (horário de Brasília) após o anúncio. Ainda assim, o papel acumula queda de aproximadamente 30% no ano — sinal de que o otimismo pontual não apaga os problemas estruturais da empresa.
A companhia também anunciou investimentos contínuos em sua linha de óculos de realidade aumentada, os Specs, com lançamento previsto para ainda este ano.
Investidor pressiona e CEO promete cortar meio bilhão
O anúncio ocorre semanas após a Irenic Capital Management, fundo com cerca de 2,5% de participação na Snap, pressionar a empresa a otimizar seu portfólio e melhorar resultados. O fundo alega que a companhia já consumiu mais de US$ 3,5 bilhões em investimentos e ainda registra perdas anuais próximas de US$ 500 milhões — e defende o desmembramento ou encerramento de operações deficitárias, além de cortes mais amplos de custos.
O CEO Evan Spiegel respondeu com projeções concretas: a empresa espera economizar mais de US$ 500 milhões em despesas anualizadas até o segundo semestre do ano com as mudanças anunciadas.
O movimento da Snap, no entanto, vai na direção oposta ao que a própria OpenAI defendeu recentemente: que os ganhos de produtividade gerados pela IA fossem convertidos em mais tempo livre para os trabalhadores — não em cortes de equipe. O contraste revela que não há consenso, nem no próprio setor de tecnologia, sobre o que fazer com os excedentes criados pela automação.
