Política

Relator aprova PECs da escala 6×1 na CCJ, mas oposição adia a votação

Paulo Azi sugere transição gradual e compensação tributária; proposta prevê jornada de 36 horas semanais na escala 4x3
Hugo Motta e Câmara em votação sobre PEC fim escala 6x1 CCJ, reforma da jornada trabalhista

O relator Paulo Azi (União-BA) apresentou nesta quarta-feira (15) parecer favorável à admissibilidade das PECs que extinguem a escala 6×1 na CCJ da Câmara dos Deputados. A votação, no entanto, foi adiada logo após a leitura.

O deputado Lucas Redecker (PSD-RS), da oposição e crítico ao fim da escala 6×1, pediu vista do relatório — mais prazo para análise — e o presidente da CCJ, Leur Lomanto Júnior (União-BA), concedeu o pedido. Defensores das PECs protestaram contra o adiamento no encerramento da sessão.

O relatório de Azi trata exclusivamente da admissibilidade constitucional das propostas — se os textos preenchem os requisitos formais para tramitar no Congresso. Para o parlamentar, as PECs atendem a todos esses critérios e devem avançar.

O que preveem as PECs

Os dois textos, apresentados por parlamentares de esquerda e analisados de forma conjunta, propõem substituir a atual escala 6×1 pelo modelo 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso. A jornada semanal máxima cairia de 44 para 36 horas. O debate de mérito sobre a viabilidade das mudanças só ocorrerá depois da aprovação na CCJ, em uma comissão especial.

Recomendações do relator

Embora seu papel na CCJ seja estritamente formal, Azi foi além e incluiu no parecer sugestões para a próxima etapa. O deputado defende uma transição gradual, com prazos diferenciados conforme o porte das empresas, citando reformas similares feitas no Chile, na Colômbia e no México — países que adotaram cronogramas escalonados com reduções anuais sucessivas.

Azi também propõe que a comissão especial avalie compensações tributárias para o setor produtivo, com possível redução de encargos sobre a folha de pagamentos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que uma redução de 44 para 40 horas semanais já elevaria os custos com empregados formais entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano — acréscimo de até 7% na folha, segundo a entidade.

A proposta analisada na CCJ — que prevê escala 4×3 e 36 horas semanais — tramita em paralelo ao projeto de lei enviado pelo governo Lula na véspera, que propõe modelo distinto: 40 horas semanais e escala 5×2, sem alterar a Constituição.

Se aprovadas na CCJ, as PECs seguirão para uma comissão especial, onde o debate de mérito será conduzido. Depois, precisarão passar pelo plenário da Câmara e, em seguida, pelo Senado. A promulgação só ocorre com o aval das duas Casas.

A sessão desta quarta cumpria o calendário prometido pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, que havia se comprometido a levar as PECs à CCJ antes de criar a comissão especial e pautar a votação em plenário até o fim de maio. O pedido de vista interrompe esse ritmo e abre espaço para novas negociações políticas em torno do texto.

O adiamento reacende o debate sobre o cronograma das reformas trabalhistas no Congresso, que agora acumula dois trilhos simultâneos: as PECs de iniciativa parlamentar, com corte para 36 horas, e o projeto do Executivo, com meta de 40 horas. As propostas partem de pontos distintos e ainda precisarão de convergência política — tanto na Câmara quanto no Senado — para que qualquer mudança na jornada de trabalho entre em vigor.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Equipe econômica rejeita compensar empresas pelo fim da escala 6×1

Governo abre para transição no fim da 6×1, mas descarta desoneração

Durigan admite transição na escala 6×1, mas barra custo para o Tesouro

Boulos prevê votação do fim da escala 6×1 em até três meses no Congresso

Brasil tenta reduzir jornada para 40 horas desde a Constituinte de 1987

CCJ da Câmara vota hoje relatório que libera tramitação do fim da escala 6×1