Para acelerar a aprovação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que organize um jantar com senadores na residência oficial da Casa.
O pedido foi feito na terça-feira (14), durante a posse de José Guimarães como ministro das Relações Institucionais, no Palácio do Planalto — ocasião que marcou o retorno de Alcolumbre ao Executivo após longa ausência.
A sabatina de Messias, atual advogado-geral da União, está prevista para 29 de abril na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
O jantar é a principal aposta do Planalto para intensificar o contato direto com parlamentares antes da votação que definirá se Messias integra o STF. O movimento ganhou força quando o Planalto concluiu que o ambiente no Senado havia mudado e que a neutralidade de Alcolumbre seria condição suficiente para viabilizar a aprovação.
O próprio presidente do Senado devolveu a sugestão: propôs que Lula convidasse os senadores para um jantar no Palácio da Alvorada. A troca de ideias sobre o formato do encontro aconteceu às margens da cerimônia de posse de Guimarães, que convidou Alcolumbre pessoalmente — gesto que selou o reencontro entre os dois líderes após o presidente do Senado não pisar no Planalto há tempos.
Lula queria viabilizar o jantar ainda nesta semana, mas Alcolumbre informou que já tinha compromisso na quarta-feira. Na quinta (16), o presidente embarca para a Europa, onde cumpre agenda durante o feriado de Tiradentes, o que inviabiliza o encontro antes do retorno.
CCJ e o caminho até a sabatina
A indicação de Messias tramita na CCJ sob relatoria do senador Weverton Rocha (PDT-MA). A sabatina foi agendada para 29 de abril depois que Alcolumbre encaminhou a indicação à CCJ e designou Weverton Rocha como relator — movimento lido nos bastidores como gesto político a Lula.
A ofensiva do Planalto não ocorre de forma isolada. A articulação de Lula complementa a estratégia do próprio Messias, que já havia prometido humildade e anunciado uma rodada de visitas a senadores para ampliar sua base de apoio.
O retorno de Alcolumbre ao Planalto, mesmo que motivado pela posse de Guimarães, foi lido nos bastidores como sinal de distensão entre o Senado e o Executivo — relação que passou por momentos de frieza. A disposição do presidente do Senado em negociar a logística do jantar indica que a articulação em torno de Messias ganhou novo fôlego.
Com a sabatina marcada para o fim do mês, o Planalto trabalha contra o relógio para consolidar os votos necessários na CCJ e, em seguida, no plenário do Senado.
