O Fundo Monetário Internacional aprovou nesta quarta-feira (15) a liberação de US$ 1 bilhão para a Argentina, nova parcela de um programa de US$ 20 bilhões firmado com o governo Javier Milei.
Este é o 23º acordo do país com o FMI — número que ilustra tanto a recorrência das crises econômicas argentinas quanto a aposta do governo atual em usar o organismo como âncora para suas reformas.
O repasse serve para reforçar as reservas internacionais e consolidar a flexibilização cambial iniciada em 2025, quando o controle rígido sobre o dólar foi parcialmente desmantelado.
O programa de US$ 20 bilhões, com prazo de quatro anos, foi criado para substituir um empréstimo anterior de US$ 44 bilhões que a Argentina não conseguiu honrar nos prazos previstos. Somando o apoio de outros organismos internacionais, o total de recursos comprometidos com a recuperação econômica argentina chega a cerca de US$ 42 bilhões.
Na prática, o acordo permite ao governo reorganizar as contas públicas e avançar na liberalização do mercado de câmbio. Em 2025, após receber uma primeira parcela de US$ 12 bilhões, o governo substituiu o controle estrito sobre o dólar por um regime de banda cambial — a moeda americana agora pode flutuar dentro de um intervalo de valores, facilitando importações, exportações e remessa de lucros ao exterior.
O FMI avaliou positivamente os avanços obtidos. Segundo o organismo, Milei ampliou seu apoio político para implementar mudanças estruturais e progrediu em duas frentes prioritárias: controle da inflação e estabilização da taxa de câmbio — condições que abriram caminho para o novo desembolso.
Na semana passada, o Banco Mundial já havia destacado a Argentina como o destaque positivo da América Latina, mas alertou que o país ainda enfrentava “grandes necessidades de financiamento externo em um contexto de reservas internacionais líquidas negativas” — exatamente o gargalo que o novo acordo com o FMI busca endereçar.
Reservas em reconstrução, inflação volta a subir
O principal termômetro do programa é o nível das reservas internacionais — a poupança em moeda estrangeira que garante a capacidade do país de pagar dívidas e sustentar a estabilidade econômica. Só em 2026, o Banco Central argentino já comprou mais de US$ 5,5 bilhões no mercado, mas o volume total ainda é considerado baixo, já que parte dos recursos segue sendo usada para quitar compromissos externos.
No front da inflação, os dados de março trouxeram sinal de alerta: o índice mensal subiu para 3,4%, acima dos 2,9% de fevereiro e o maior patamar em um ano. Os maiores aumentos vieram de educação, transporte, energia, habitação e alimentos. No acumulado de 12 meses, houve leve desaceleração para 32,6%.
O pano de fundo, porém, é de recuperação: a Argentina cresceu 4,4% do PIB em 2025, com a inflação recuando para 31,5% no acumulado anual — trajetória que pavimentou o caminho para o novo acordo com o FMI. O governo agora mira manter a inflação abaixo de 2% ao mês para avançar ainda mais na liberalização cambial e consolidar a recuperação econômica do país.
