O dólar abre esta quarta-feira (15) praticamente estável, cotado a R$ 4,9944, com variação de apenas 0,02%. O mercado opera sob o mesmo fio condutor das últimas semanas: os avanços — e recuos — nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.
O catalisador desta manhã foi uma teleconferência entre altos funcionários dos Emirados Árabes Unidos e do Irã para discutir a redução das tensões — o primeiro contato de alto nível entre os dois países desde a deterioração das relações provocada pelo conflito.
Trump fala em acordo, mas bloqueio no Estreito de Ormuz segue ativo
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que não pretende estender o cessar-fogo com o Irã, mas classificou a guerra como “perto do fim”. Em entrevista à ABC News, afirmou que o conflito “pode terminar de diversas formas”, mas que um acordo é preferível — “porque assim o país pode se reconstruir”.
No campo militar, o bloqueio americano no Estreito de Ormuz segue em vigor. Dados de monitoramento apontam navios dando meia-volta, embora agências iranianas afirmem que petroleiros do país conseguiram atravessar o ponto estratégico. Teerã ameaçou interromper o fluxo comercial no Mar Vermelho caso o bloqueio persista.
Segundo a Reuters, EUA e Irã podem retomar as negociações formais ainda nesta semana. A primeira rodada, realizada no fim de semana passado, terminou sem acordo. O atual ciclo diplomático tem origem no cessar-fogo firmado em 8 de abril, quando Trump suspendeu as operações militares após pedido paquistanês e o estreito foi reaberto temporariamente, abrindo caminho para as tratativas seguintes.
Líbano e Israel sentam à mesa em Washington
Representantes do Líbano e de Israel também se reuniram na capital americana para iniciar negociações sobre um possível cessar-fogo, com mediação dos EUA. O encontro integra um esforço diplomático mais amplo que inclui as tratativas entre Washington e Teerã.
Os impasses, porém, são significativos: Israel recusa negociar com o Hezbollah, enquanto o grupo libanês rejeita qualquer acordo. O governo libanês, por sua vez, demonstra abertura ao diálogo. Os confrontos seguem intensos, com ataques israelenses no Líbano e foguetes do Hezbollah atingindo território israelense.
Petróleo acima de US$ 100 pressiona preços globais e bolsas sobem
O conflito elevou o preço do petróleo mais de 35% desde seu início, levando o barril acima de US$ 100. Nos EUA, os preços no atacado subiram 0,5% em março — abaixo do esperado pelo mercado —, mas a variação acumulada em 12 meses chegou a 4%. Especialistas alertam que os efeitos da alta da energia sobre a inflação ainda estão por vir.
Na véspera, o dólar havia recuado a R$ 4,97 — menor patamar em dois anos, impulsionado pelo mesmo otimismo diplomático com as negociações entre EUA e Irã e a reunião de embaixadores em Washington.
No Brasil, o setor de serviços cresceu 0,1% em fevereiro ante janeiro, atingindo o maior nível histórico da série do IBGE. O avanço foi liderado por tecnologia da informação e transportes, mas economistas alertam que inflação persistente e juros elevados podem frear o ritmo nos próximos meses. A agenda do dia inclui dados de vendas no varejo do IBGE e o Livro Bege do Federal Reserve.
Bolsas globais fecham no azul
Wall Street operou em alta na terça-feira: Dow Jones avançou 0,66%, S&P 500 subiu 1,17% e Nasdaq ganhou 1,96%. Na Europa, o índice de referência subiu 1%, com DAX alemão em alta de 1,27% e CAC 40 francês avançando 1,12%.
Na Ásia, o Nikkei (Japão) liderou os ganhos com alta de 2,43%, seguido pelo Kospi (Coreia do Sul), que avançou 2,74%. Xangai subiu 0,95% e o Hang Seng de Hong Kong fechou em alta de 0,82%.
