Economia

Crise tripla afunda produtor de soja dos EUA e abre espaço ao Brasil

Tarifas de Trump, bloqueio do Estreito de Ormuz e fuga da China para o mercado brasileiro somam perdas históricas no campo americano
Plantação de soja com bandeiras EUA e Brasil: crise soja americana China Brasil reposiciona mercado global

O produtor de soja americano entra na safra de primavera de 2026 pressionado por três frentes simultâneas: a guerra comercial herdada do tarifaço de Trump, o bloqueio do Estreito de Ormuz após o conflito com o Irã e a consolidação do Brasil como principal fornecedor da China.

Levantamento do Centro Purdue para Agricultura Comercial, feito com 400 produtores em março, revelou que quase metade declarou situação financeira pior do que um ano antes. O número de falências cresceu entre 2024 e 2025.

China virou as costas para a soja americana — e o Brasil colheu o resultado

As tarifas impostas por Donald Trump em abril de 2025 aceleraram uma ruptura que os produtores americanos ainda tentam absorver. A China, que era o maior comprador de soja dos EUA, respondeu com tarifas retaliatórias e praticamente zerou suas compras do produto americano.

“Quando a China impôs tarifas contra os EUA, eles passaram a comprar do Brasil ou da Argentina, principalmente do Brasil”, afirma Joseph Glauber, ex-economista-chefe do Departamento de Agricultura dos EUA.

O Brasil já havia superado os americanos como maior produtor mundial de soja há alguns anos. Com a virada da China, essa vantagem competitiva se transformou em hegemonia comercial. Os produtores do Meio-Oeste americano perderam o principal destino de suas exportações sem conseguir substitutos suficientes.

EUA e China fecharam um acordo ao fim de 2025: Pequim se comprometeu a comprar 12 milhões de toneladas de soja até janeiro e pelo menos 25 milhões por ano nos três anos seguintes. O governo Trump também anunciou pacote de auxílio temporário de 12 bilhões de dólares para compensar as perdas dos produtores.

Mesmo assim, o prejuízo médio na safra de 2025 foi de quase 75 dólares por acre, segundo a Associação Americana de Soja. “Quando a China decidiu parar de comprar, não conseguimos encontrar outros mercados suficientes para substituir essas vendas. Ainda sentimos os impactos hoje”, diz Chad Hart, economista do setor — as exportações americanas de soja seguem entre 15% e 20% abaixo do esperado.

Irã e Ormuz: quando a geopolítica chega na conta do fertilizante

O ataque de EUA e Israel ao Irã em 28 de fevereiro interrompeu o tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio de petróleo e fertilizantes. O impacto chegou direto às fazendas do Meio-Oeste americano.

A ureia, fertilizante nitrogenado mais usado no mundo, disparou em preço — e cerca de metade do fornecimento global vem do Oriente Médio. Embora a soja não dependa desse insumo, a maioria dos produtores de soja também planta milho, que é altamente dependente de nitrogênio.

“Locais como plantas de gás natural liquefeito foram atingidos. Também há uma grande escassez de produtos químicos básicos, insumos para produtos químicos agrícolas”, afirma Seth Goldstein, analista da Morningstar.

A escassez de insumos tem mais de uma fonte: além do bloqueio do Estreito de Ormuz, a China restringiu exportações de fertilizantes em março, agravando a crise global que já pressiona os custos de produção nos EUA e no Brasil.

Para Doug Bartek, produtor de 60 anos que preside a Associação de Soja de Nebraska e aluga três quartos da área que cultiva, o cenário é opressivo: proprietários de terra sobem aluguéis, fornecedores cobram mais e o preço da soja não acompanha. “Muitos produtores estão bem nervosos entrando neste ano. Parece que teremos mais um ano de retornos negativos”, resume Justin Sherlock, da Associação de Produtores de Soja da Dakota do Norte.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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