Política

Falhas da Dataprev travaram 1,7 milhão de processos e custaram R$ 233 mi ao INSS

Instabilidades nos sistemas corroeram 15,72% da capacidade produtiva do instituto entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026
Fachada do INSS com Gilberto Waller em primeiro plano, representando as falhas Dataprev que travaram processos

Uma nota técnica conjunta do INSS revelou que falhas recorrentes nos sistemas da Dataprev travaram cerca de 1,7 milhão de processos de benefícios e causaram prejuízo estimado em R$ 233,2 milhões ao erário.

O documento, produzido pelas Centrais de Análise de Benefícios (Ceabs) e obtido pela GloboNews, abrange o período de dezembro de 2024 a fevereiro de 2026.

As instabilidades comprometeram 15,72% da capacidade produtiva do instituto — o equivalente ao custo dos servidores que ficaram impossibilitados de trabalhar por falhas tecnológicas.

A nota técnica foi publicada originalmente em 17 de março e detalha que as instabilidades não foram uniformes ao longo do período, com picos de gravidade em que os sistemas praticamente pararam. O documento classifica a regularidade das ferramentas como “condição crítica” para que o INSS cumpra suas atribuições e garanta o acesso tempestivo dos cidadãos aos benefícios previdenciários e assistenciais.

Diante do diagnóstico, o instituto avalia o fortalecimento das medidas de gestão contratual para responsabilizar a Dataprev pelas perdas. A nota sugere o encaminhamento dos autos à Procuradoria Federal Especializada para apurar os fundamentos jurídicos que permitam a cobrança dos prejuízos causados pelas instabilidades.

O impacto vai além do financeiro: as falhas comprometeram diretamente a velocidade de redução da fila do INSS. O recorde de 1,625 milhão de processos concluídos em março — que ainda assim não foi suficiente para reduzir a fila abaixo do patamar de um ano atrás — ganha novo enquadramento diante da nota técnica: as instabilidades da Dataprev corroeram 15,72% da capacidade produtiva do INSS no período analisado. Veja o comportamento da fila do INSS em março.

Dataprev rebate as acusações

Em nota divulgada nesta segunda-feira (14), a Dataprev afirmou não ter tido acesso ao documento interno do INSS e questionou a metodologia utilizada para calcular o suposto prejuízo. A empresa sustenta que opera com Acordos de Nível de Serviço (ANS) que estabelecem metas de disponibilidade de 98% e que, entre 2024 e 2025, registrou índice superior a 96%.

Para 2026, a estatal afirma que, até meados de março, não foram identificadas quebras de ANS, com disponibilidade mínima apurada de 98,50%. A empresa também ressaltou que fatores externos — como infraestrutura local e conectividade das redes de acesso — podem contribuir para instabilidades, mas estão fora de seu controle direto.

A demissão de Gilberto Waller, anunciada na segunda-feira (13), tinha como pano de fundo não só o desgaste político com as filas, mas também — segundo pessoas ligadas ao instituto — o impasse com a Dataprev que agora o documento interno torna público. Waller foi substituído pela servidora de carreira Ana Cristina Silveira. Saiba mais sobre a troca na presidência do INSS.

A Dataprev é uma empresa pública parceira do Governo Federal na digitalização de serviços públicos e processa, há 51 anos, os pagamentos previdenciários para mais de 42 milhões de brasileiros. O conflito entre as duas entidades expõe a fragilidade da dependência tecnológica do INSS em relação à estatal e levanta questões sobre a governança dos contratos públicos de TI.

Para os segurados, o efeito prático é o prolongamento da espera por aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais. Com 1,7 milhão de processos represados e capacidade produtiva cronicamente abaixo do potencial, o desafio de reduzir significativamente a fila do INSS segue sem prazo definido.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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