Economia

PIX inclui 74% dos mais pobres no sistema financeiro, aponta BC

Ferramenta bate recorde de R$ 35 tri e enfrenta pressão dos EUA por prática comercial desleal
PIX inclui população de baixa renda em inclusão financeira: Lula e Banco Central resistem à pressão dos EUA

Três anos após o lançamento, o PIX alcançou 74% dos adultos cadastrados no CadÚnico — o registro de famílias de baixa renda do governo federal. Os dados constam no Relatório de Cidadania Financeira divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central.

Além do acesso, o uso efetivo cresceu: 72% desses brasileiros realizaram ao menos um pagamento via PIX em 2023. A diferença entre quem tem chave cadastrada e quem de fato usa o sistema caiu de 7 para apenas 2 pontos percentuais entre 2022 e 2023.

O BC destaca que a rápida disseminação do PIX contribuiu de forma expressiva para a inclusão financeira da população de menor renda no Brasil — um público historicamente à margem do sistema bancário tradicional.

O crescimento do engajamento, segundo o relatório, indica maior confiança no sistema. O PIX, avalia o BC, consolidou-se como parte da rotina financeira dessa população.

Pressão americana e resposta de Lula

Ao mesmo tempo em que celebra os avanços internos, o PIX enfrenta resistência externa. O sistema voltou a ser citado em relatório recente do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que o classifica como possível prática comercial desleal — investigação que se arrasta desde o ano passado.

O documento americano aponta que o Banco Central criou, detém, opera e regula o PIX, o que, segundo Washington, distorce a competição com empresas privadas como Visa e Mastercard.

Após bater o recorde histórico de R$ 35,36 trilhões movimentados em 2025, o PIX já havia se tornado alvo do governo Trump, que o classificou como prática comercial prejudicial a Visa e Mastercard — uma disputa que o presidente Lula prometeu ignorar. Orientado pelo ministro Sidônio Palmeira, Lula foi direto: “Ninguém vai fazer a gente mudar o PIX.”

A pressão americana sobre o PIX ganhou contornos diplomáticos em abril, quando Lula declarou em Salvador que ninguém vai fazer o governo brasileiro mudar o sistema, horas após o governo Trump publicar relatório classificando o PIX como distorção do comércio internacional.

O que vem por aí no PIX

O Banco Central segue com uma agenda de expansão do sistema para 2026 e 2027, com novas funcionalidades previstas a depender de recursos disponíveis na instituição.

Uma das novidades mais aguardadas é o PIX Parcelado, que pretende alcançar os 60 milhões de brasileiros sem acesso a cartão de crédito. O parcelamento via PIX já é oferecido por diversas instituições financeiras como linha de crédito, mas o BC quer padronizar as regras para estimular a competição entre bancos e pressionar a queda dos juros.

Essa padronização, no entanto, ainda não tem prazo definido — e tende a movimentar o setor de fintechs, que disputa espaço com os grandes bancos no segmento de crédito ao consumidor.

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