A fila do INSS encolheu de 3,1 milhões para 2,7 milhões de pedidos em março de 2026 — queda de 400 mil requerimentos em um único mês. O instituto classificou o resultado como um “recorde de desempenho”, após concluir 1,625 milhão de processos no período.
O avanço, porém, esbarra num limite estrutural: a fila segue no mesmo tamanho de março de 2025. A média de 61 mil novos pedidos diários repõe continuamente o estoque, freando qualquer queda mais expressiva.
Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (13) pelo INSS e expõem uma contradição que o governo tenta administrar: apesar do esforço operacional, a demanda cresce no mesmo ritmo em que os processos são concluídos. A entrada de 61 mil novos pedidos por dia em março foi o principal obstáculo para uma redução mais expressiva da espera.
A divulgação ocorreu no mesmo dia em que o presidente Lula decidiu trocar o comando do órgão. Gilberto Waller foi demitido e Ana Cristina Viana Silveira, servidora de carreira, assumiu a presidência do INSS — uma mudança motivada, segundo o blog de Valdo Cruz no g1, pelo desgaste de imagem causado pelas filas e pelo temor de que o tema vire munição eleitoral.
Os benefícios mais afetados pelo represamento são aposentadorias, pensões e o BPC, voltado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda — públicos que concentram grande parte do eleitorado sensível ao debate previdenciário.
Como o INSS chegou ao recorde de março
Para atingir 1,625 milhão de processos concluídos em março, o INSS recorreu a uma série de iniciativas operacionais. A principal foi a nacionalização da fila de análise: servidores de qualquer estado passaram a atuar em processos represados em regiões com maior tempo de espera, redistribuindo a carga de trabalho pelo país.
O órgão também realizou mutirões de análise administrativa e perícia médica em parceria com o Ministério da Previdência Social, além de criar grupos de trabalho especializados para atacar requerimentos de maior complexidade — justamente os que mais pesam sobre o volume total da fila.
O desafio estrutural, porém, persiste: enquanto a capacidade de processamento não superar de forma consistente a entrada de novos pedidos, a fila tende a se manter estável, independentemente dos recordes mensais. O resultado de março mostra progresso operacional — mas não rompe o gargalo.
