A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado Federal aprovou, na quinta-feira (16), requerimento para enviar uma missão oficial de senadores aos Estados Unidos.
A proposta, de autoria do senador Jorge Seif (PL-SC), foi motivada pelo caso do ex-deputado Alexandre Ramagem, preso pelo ICE na segunda-feira (13) e solto dois dias depois — sem que a Polícia Federal fosse notificada.
A aprovação na CRE foi simbólica — sem registro individual de votos — em sessão que durou apenas cinco minutos e 29 segundos. Dos 15 senadores com presença registrada, quatro eram não-membros da comissão e não necessariamente estavam fisicamente presentes.
Ramagem havia sido preso na segunda-feira (13) pelo ICE em Orlando após fugir clandestinamente do Brasil em setembro de 2025, cruzando a fronteira de Roraima de carro até a Guiana e de lá embarcando para os Estados Unidos. Ele deixou a prisão na quarta-feira (15).
O que a missão pretende
Segundo o requerimento, a visita tem como objetivo fortalecer o diálogo com Washington para a proteção dos direitos de cidadãos brasileiros detidos no país. Seif justificou que os canais diplomáticos precisam ser reforçados diante dos casos em curso.
A missão, porém, só se concretizará se o plenário do Senado — com todos os 81 senadores — também aprovar o texto. Não há previsão de quando o item entrará em pauta.
Enquanto a oposição articulava a missão, o governo federal corria nos bastidores para entregar ao ICE um relatório com o mandado de prisão em aberto e o risco de fuga de Ramagem — documento que não chegou a tempo de impedir a soltura antecipada do ex-deputado.
A soltura de Ramagem na quarta-feira (15) ocorreu sem que a Polícia Federal fosse formalmente comunicada, e foi o estopim imediato que acelerou a aprovação do requerimento na CRE no dia seguinte.
Discurso de Seif no plenário
Na noite de quarta-feira, ainda antes da aprovação na CRE, Seif já havia tomado a palavra no plenário do Senado para defender Ramagem publicamente. “Eu estou muito feliz porque Alexandre Ramagem é um grande homem e, se Deus quiser, vai retornar ao Brasil com a sua família”, declarou o senador.
Seif foi além e afirmou que Ramagem “ganhará uma homenagem nesta Casa por seu ato de bravura” e cobrou “um pedido de perdão do Governo brasileiro pela perseguição implacável que ele e outros sofrem”.
Condenado pelo STF por envolvimento na trama golpista que resultou nos ataques de 8 de janeiro, Ramagem é alvo de pedido de extradição pelo governo brasileiro. A missão senatorial, liderada pela oposição, é interpretada como um gesto político de solidariedade ao ex-chefe da Abin e aliado de Bolsonaro.
