Economia

Liminar isenta petroleiras de imposto e ameaça subsídio ao diesel

Decisão da Justiça Federal do Rio questiona constitucionalidade da taxa de 12% criada há um mês para cobrir cortes fiscais sobre combustíveis
Petróleo e Petrobras em liminar: imposto exportação petróleo inconstitucional Brasil em questão na Justiça

A Justiça Federal do Rio de Janeiro derrubou, nesta quarta-feira (8), o imposto de 12% sobre exportações de petróleo bruto aplicado a cinco petroleiras internacionais — TotalEnergies, Repsol Sinopec, Petrogal (Galp), Shell e Equinor.

Na decisão, o juiz afirmou que a taxa pode ser inconstitucional. O argumento central: o próprio governo admitiu que o imposto foi criado para gerar receita, o que o magistrado classificou como um “verdadeiro desvio de finalidade”. Uma decisão definitiva ainda está pendente.

O imposto e o rombo fiscal em jogo

A taxa foi instituída há cerca de um mês, após a escalada nos preços do petróleo provocada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. O governo federal a apresentou como medida emergencial para compensar a perda de arrecadação causada pelos cortes de impostos sobre combustíveis.

O imposto de exportação derrubado pela Justiça foi criado justamente como contrapartida fiscal do pacote de R$ 30 bilhões anunciado pelo governo para conter a alta do diesel, que já chegou a R$ 6,80 o litro nos postos.

Com a liminar, o mecanismo que sustentava esse equilíbrio fiscal passa a ter uma fissura. A liminar agrava o rombo fiscal do governo, que já negocia com estados o custo de R$ 3 bilhões mensais para zerar o ICMS sobre o diesel importado — parte do mesmo esforço para segurar os preços dos combustíveis.

A Petrobras, maior exportadora de petróleo bruto do país, não é afetada pela decisão. A estatal não integrou o grupo que obteve a liminar.

Setor petrolífero na ofensiva

As críticas ao imposto se intensificaram na mesma quarta-feira. O Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), principal grupo de lobby do setor, afirmou que a taxa representa um obstáculo direto a novos investimentos no país. As petroleiras, por sua vez, reforçaram a necessidade de “estabilidade” fiscal e regulatória como condição para manter e ampliar operações no Brasil.

Governo defende imposto, mas não responde à decisão

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, foi ao mesmo evento do IBP para defender a taxa. Na ocasião, ele afirmou que as empresas estão lucrando com o conflito no Oriente Médio e que podem “pagar um pouco mais” para ajudar o governo a subsidiar o combustível da população brasileira.

O Ministério de Minas e Energia não respondeu ao pedido de comentário sobre a liminar até o momento da publicação.

A tensão entre o governo e as petroleiras privadas expõe uma contradição estrutural: ao mesmo tempo em que o Brasil precisa de investimentos estrangeiros no setor de petróleo e gás para manter sua posição como produtor relevante, o governo recorre a instrumentos fiscais de emergência que, segundo a Justiça, podem não ter amparo constitucional.

A decisão definitiva sobre a constitucionalidade do imposto ainda está por vir — e seu desfecho pode redefinir as margens de manobra do governo para financiar a política de preços de combustíveis enquanto o conflito no Oriente Médio persistir.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

PF fiscaliza 55 distribuidoras de gás de cozinha em 15 estados na 2ª fase da Vem Diesel

Vibra adere ao subsídio do diesel e rompe bloqueio das gigantes do setor

TRF-2 mantém suspensão do imposto sobre exportação de petróleo

PGFN acusa juiz de usar MP inexistente para isentar petroleiras de imposto

Diesel mais caro ameaça safra de cana no interior paulista

Governo exige transparência de distribuidoras e reajusta subsídio do Gás do Povo