Economia

TJs defendem depósitos no BRB por rendimentos maiores; MA usou verba para ‘penduricalhos’

Cinco tribunais acumulam bilhões no banco investigado pela PF; CNJ analisa as justificativas dos contratos
Edifícios BRB e CNJ ilustram investigação de depósitos judiciais tribunais sob análise federal

Cinco Tribunais de Justiça questionados pelo CNJ por transferirem bilhões ao Banco de Brasília (BRB) apresentaram a mesma defesa: o banco ofereceu rendimentos maiores do que Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

No Maranhão, a diferença chegou a 120% — e parte dos lucros foi destinada ao pagamento de “penduricalhos” a magistrados e servidores, conforme admitiu o então presidente do tribunal em sessão pública em janeiro.

Os cinco TJs investigados — Maranhão, Bahia, Paraíba, Alagoas e Distrito Federal — acumulam bilhões de reais no BRB, banco agora sob suspeita após o escândalo do Banco Master e a Operação Compliance Zero da Polícia Federal.

O TJ do Maranhão formalizou o contrato com o BRB em agosto de 2025, atraído por uma oferta de rendimentos 120% acima da concorrência. Os depósitos maranhenses chegaram a R$ 4,7 bilhões no início deste ano. O tribunal também reconheceu que depende dos rendimentos do contrato para compor parte de seu orçamento.

O TJ da Bahia tem o contrato mais antigo entre os investigados — firmado em agosto de 2021. Em dezembro de 2020, os depósitos baianos totalizavam R$ 5,4 bilhões, mas o tribunal não informou o saldo atual. O TJ-BA também destacou que o BRB foi escolhido por oferecer o maior fator de remuneração, sem apresentar valores comparativos detalhados.

Na Paraíba, o BRB venceu licitação por margem mínima: 3,17% de fator de remuneração contra 3,16% da Caixa. O contrato foi firmado em março de 2025. O TJ de Alagoas, com contrato desde 2024, informou ter depositado R$ 2,6 bilhões no banco.

BRB tranquiliza tribunais com dados de antes da crise

Diante das preocupações com a Operação Compliance Zero, os TJs do Maranhão, da Bahia e da Paraíba consultaram o BRB sobre sua capacidade de honrar os compromissos. O banco respondeu citando um Patrimônio Líquido de R$ 3,9 bilhões — mas os dados são de junho de 2025, antes de serem contabilizados os prejuízos gerados pela compra de carteiras do Banco Master.

O prazo legal para divulgação do balanço venceu na última terça-feira (31), e o BRB não apresentou as demonstrações financeiras. A omissão amplia a incerteza sobre a real situação da instituição.

O governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB) — que deixou o cargo para disputar o Senado —, pediu ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) um empréstimo de R$ 4 bilhões para garantir liquidez e continuidade operacional do BRB, em consequência direta da crise aberta pelo caso Master.

O caso dos ‘penduricalhos’ no Maranhão

Em sessão plenária de 28 de janeiro, o então presidente do TJ-MA, desembargador José de Ribamar Froz Sobrinho, foi questionado pelos colegas sobre a movimentação bilionária no BRB. A resposta repercutiu: ele admitiu ter destinado os rendimentos ao pagamento de “penduricalhos” — indenizações e benefícios adicionais — a desembargadores, juízes e servidores do tribunal.

“Eu fiz um compromisso com vossas excelências, com os juízes, com os servidores […] de fazer o pagamento de indenizações a vossas excelências”, declarou o magistrado publicamente.

O CNJ instaurou três procedimentos para apurar os cinco TJs após dois advogados acionarem o órgão. As justificativas apresentadas estão sob análise do corregedor nacional de Justiça, ministro do STJ Mauro Campbell.

A preocupação dos tribunais tem razão de ser: o BRB acumula quatro riscos simultâneos após absorver mais de R$ 12 bilhões em carteiras do Banco Master com indícios de fraude — incluindo rebaixamento para ‘CCC’ pela Fitch e Moody’s e necessidade de ao menos R$ 5 bilhões para cumprir exigências do Banco Central. Além disso, um documento interno de abril de 2025 já registrava que parte das carteiras do Master não tinha averbação verificável — data anterior ao contrato assinado pelo TJ da Paraíba, o que fragiliza qualquer alegação de desconhecimento por parte do banco.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

GDF pede aval da União para empréstimo de R$ 6,6 bi ao BRB apesar de nota fiscal C

Tesouro Nacional indica que rejeitará aval do GDF para empréstimo ao BRB

BRB firma acordo para vender R$ 15 bi em ativos herdados do Master

TCU abre processo para fiscalizar empréstimo de R$ 6,5 bi ao BRB

S&P rebaixa BRB pela 2ª vez em três meses e aponta incerteza no banco

Área técnica do TCU avalia que Corte não pode fiscalizar resgate bilionário do BRB