Política

PF cumpre mandado contra ex-servidor do STJ acusado de vender sentenças

Márcio Toledo recebeu R$ 4 milhões de lobista e teria tentado obstruir investigações da Operação Sisamnes
STJ com brasão da Polícia Federal: investigação contra ex-servidor acusado de venda de sentenças

A Polícia Federal cumpriu nesta terça-feira (31) mandado de busca e apreensão no Distrito Federal contra Márcio Jose Toledo Pinto, ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspeito de comercializar decisões judiciais.

A ação foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, após indícios de que o investigado tentava obstruir o andamento das apurações — incluindo relatos de que ele teria seguido agentes federais.

Toledo Pinto já havia sido demitido do STJ e indiciado pela PF antes da nova medida.

Segundo a Polícia Federal, o ex-servidor se aproveitou do acesso privilegiado ao sistema do STJ para criar, editar e extrair minutas de decisões judiciais. Esses documentos foram indevidamente compartilhados e utilizados por terceiros.

Além de vazar informações sigilosas do tribunal, Toledo Pinto comercializou decisões judiciais — conduta que configura corrupção passiva e abuso da função pública.

As investigações apontam que ele recebeu ao menos R$ 4 milhões do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, identificado pela PF como operador central do esquema de venda de sentenças.

O mandado desta terça foi expedido depois que surgiram indícios concretos de obstrução: há relatos de que o investigado chegou a monitorar investigadores do caso, o que motivou a intervenção judicial.

Acesso interno como instrumento de crime

O padrão de explorar credenciais internas para fins criminosos não é episódio isolado no Judiciário. Em março, um contador foi preso preventivamente por roubar e comercializar declarações de IR de mais de 1.800 autoridades, em investigação também conduzida pela PF — caso que evidencia a vulnerabilidade sistêmica dos tribunais a agentes internos mal-intencionados.

Operação Sisamnes e o alcance das investigações

O caso é um desdobramento da Operação Sisamnes, da Polícia Federal, que apura um esquema de corrupção com múltiplas frentes no Poder Judiciário brasileiro. A operação recebe o nome de um governador persa da Antiguidade executado pelo próprio pai após aceitar suborno — referência direta à natureza do crime investigado.

Toledo Pinto já havia sido demitido do STJ e formalmente indiciado pela PF antes da busca desta terça. A nova medida, autorizada por Zanin, indica que a investigação identificou risco concreto de destruição de provas ou continuidade dos atos de obstrução.

A defesa do ex-servidor informou que não irá se manifestar por enquanto, alegando que ainda não teve acesso à decisão judicial que embasou a ação policial.

A recorrência de episódios envolvendo servidores com acesso a sistemas internos coloca em xeque os mecanismos de controle e auditoria dos tribunais superiores — uma fragilidade que o caso Sisamnes expõe com mais força a cada novo desdobramento.