O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido nesta quinta-feira (19) da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, no centro da capital.
A mudança foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Assim como ocorreu com o ex-presidente Jair Bolsonaro, Vorcaro deve ser mantido em uma “sala de Estado” – espaço reservado para autoridades como presidentes da República e outras altas figuras públicas.
A “sala de Estado” na PF de Brasília tem 12 metros quadrados – o dobro da metragem da cela ocupada por Vorcaro na Penitenciária Federal. O espaço é composto por uma sala com mesa, cadeira e cama de solteiro, além de banheiro privativo. O local conta com ar-condicionado, janela, armário e um frigobar.
Transferência em horário noturno
Vorcaro chegou ao prédio da PF pouco depois das 19h desta quinta-feira em um helicóptero da Polícia Federal. O ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, autorizou a transferência, cujo motivo não foi oficialmente divulgada.
Possível delação premiada
Na terça-feira (18), a nova defesa de Vorcaro se reuniu com o ministro André Mendonça para tratar dos desdobramentos do caso. De acordo com relatos, os advogados apontaram que uma das possibilidades avaliadas pelo banqueiro é uma delação premiada.
Na quarta-feira (18), o advogado de Vorcaro, José Luís Oliveira Lima, procurou a PF para informar sobre o interesse do cliente em firmar o acordo. O advogado afirmou que não vai comentar o caso neste momento devido à “sensibilidade do caso”.
Daniel Vorcaro foi preso no início do mês durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. No dia 6 de março, ele foi transferido do Complexo Penitenciário de Potim (SP) para a Penitenciária Federal em Brasília.
O dono do Banco Master é investigado por crimes financeiros, envolvimento em pagamentos indevidos a agentes públicos e pela montagem de uma estrutura apelidada de “A Turma” – uma espécie de milícia privada que monitorava autoridades e perseguia jornalistas.
Uma eventual delação de Vorcaro pode trazer novos elementos para as investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras linked ao Banco Master. Em operações anteriores, como a Lava Jato, a transferência de presos que negociavam colaboração foi usada como “sinal de boa vontade” das autoridades.