O banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente desde março na Operação Compliance Zero, foi transferido nesta quinta-feira (19) do Presídio Federal em Brasília para a superintendência da Polícia Federal na capital federal.
A mudança de regime de prisão foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master no tribunal. O advogado de Vorcaro, José Luís Oliveira Lima, havia procurado a PF no dia anterior para comunicar o interesse do cliente em firmar acordo de delação premiada.
Negociação já está em curso
A transferência de detainees para unidades da PF é um procedimento padrão quando acordos de delação estão em fase de negociação. A mudança permite maior flexibilidade para reuniões e atendimentos entre o réu, seus defensores e investigadores.
Na quarta-feira (18), a TV Globo revelou que o advogado José Luís Oliveira Lima — conhecido como Juca — procurou a PF para informar sobre a intenção de Vorcaro. Questionado pela emissora, o advogado limitou-se a dizer que não comentaria o caso neste momento devido à “sensibilidade” do asunto.
Advogado especializado em delações
A contratação de Juca não foi casual. O defensor construiu reputação em acordos de delação em casos de grande repercussão, como o do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, na Operação Lava Jato.
Vorcaro trocou de advogado na última sexta-feira (13), deixando Pierpaolo Bottino para contratar Juca horas após o STF manter sua prisão preventiva. A mudança foi interpretada na época como preparação para buscar um acordo com a justiça.
Prisão e investigações
Daniel Vorcaro foi preso no início de março durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e infiltração criminosa no Banco Master. No dia 6 de março, ele já havia sido transferido do Complexo Penitenciário de Potim (SP) para a Penitenciária Federal em Brasília.
Na terça-feira (17), a defesa de Vorcaro se reuniu com o ministro André Mendonça para discutir os desdobramentos do caso. Segundo relatos, os advogados apresentaram ao ministro a possibilidade de delação como uma das estratégias de defesa.