A defesa de Roberta Luchsinger apresentou nesta quarta-feira uma nova versão para as mensagens em que ela mandou Antônio Camilo, o Careca do INSS, sumir com os celulares após uma operação da Polícia Federal.
Segundo o advogado Bruno Salles, Roberta entrou em pânico ao saber, pela imprensa, que a PF havia apreendido um envelope com o nome de Lulinha em um camarote do empresário — antes mesmo de conhecer o conteúdo do pacote.
A defesa sustenta que o envelope continha apenas ingressos de futebol não utilizados por Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula.
Pânico político ou orientação para destruir provas?
Para Salles, a mensagem foi um conselho impulsivo de “gerenciamento de crise” — não uma tentativa de ocultar crimes. O temor de Roberta, diz o advogado, era que qualquer item associado ao filho do presidente fosse “transformado em munição política, independentemente da gravidade”.
A justificativa surge enquanto a PF apura se Roberta serviu de ponte entre Camilo e Lulinha para o repasse de R$ 300 mil mensais, pagos formalmente como consultoria sobre a regulamentação do canabidiol na Anvisa.
Dois dias antes, a defesa de Lulinha havia admitido pela primeira vez que ele viajou a Portugal com o Careca do INSS — a mesma viagem que Salles agora enquadra como “prospecção de negócios”, negando qualquer lobby junto ao Ministério da Saúde. Segundo o advogado, Lulinha apenas acompanhou Camilo como amigo enquanto o empresário avaliava o mercado internacional de cannabis medicinal.
Salles também negou que a expressão “nosso amigo”, usada nas mensagens no lugar do nome de Fábio, fosse linguagem cifrada. Alegou que Roberta cita o nome abertamente em outras conversas e que o termo surgiu naturalmente pela intimidade entre os envolvidos.
PF cruza pagamentos suspeitos com agenda no governo
A Polícia Federal suspeita que o grupo do Careca do INSS buscava abrir portas no Ministério da Saúde para comercializar produtos de cannabis medicinal. Os investigadores cruzaram os pagamentos mensais a Roberta com movimentações financeiras de Lulinha e agendas oficiais do governo.
Questionado sobre uma mensagem de Camilo referindo-se a um repasse de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”, Salles negou que a expressão fosse uma alusão a Lulinha, sugerindo possível erro de digitação ou referência ao pai de Roberta, sócio na empresa da família.
Em nota anterior, a defesa de Fábio Luís já havia contestado a movimentação de R$ 19,5 milhões em seus extratos bancários, atribuindo todos os valores a fontes legais declaradas ao fisco — argumento que agora se soma à negativa de irregularidades. A defesa afirma que Lulinha está à disposição para abertura de sigilos.