A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (3) a “Operação Não Fume”, voltada ao combate do contrabando e da venda ilegal de cigarros — incluindo eletrônicos — em sete estados brasileiros.
Cinquenta e um mandados de busca e apreensão foram cumpridos simultaneamente no Pará, Paraná, Tocantins, Espírito Santo, Santa Catarina, Mato Grosso e Goiás.
Duzentos policiais federais participam da ação, que mira grupos organizados envolvidos na internalização, distribuição e comercialização clandestina desses produtos em diferentes regiões do país.
Crimes investigados e ramificações da rede
As investigações da PF apontam para a atuação de redes dedicadas à introdução ilegal de cigarros no país, com ramificações em pelo menos sete unidades da federação. Os envolvidos poderão responder pelos crimes de contrabando e organização criminosa.
Segundo a corporação, o contrabando de cigarros “está frequentemente associado a outras práticas criminosas” e gera prejuízos diretos tanto à arrecadação tributária quanto ao comércio formal — fortalecendo o argumento por operações de maior escala.
A “Operação Não Fume” se insere numa ofensiva mais ampla: no mês anterior, a Polícia Federal havia deflagrado ações simultâneas em 16 estados contra facções criminosas, com 165 mandados e 71 ordens de prisão — padrão que sinaliza uma estratégia coordenada de combate ao crime organizado no Brasil.
As investigações seguem em andamento, e novas fases da operação não foram descartadas pelos investigadores.
Prejuízo tributário e pressão regulatória sobre o setor
O mercado ilegal de cigarros figura entre as principais fontes de evasão fiscal no Brasil. Em abril, a Receita Federal havia notificado 13 fabricantes de cigarro com dívidas superiores a R$ 25 bilhões — sinal de que o setor, legal e ilegal, concentra algumas das maiores perdas tributárias do país.
Os cigarros eletrônicos, em particular, seguem proibidos para venda no Brasil pela Anvisa, o que não impede a circulação massiva do produto via contrabando. A ilegalidade cria um mercado paralelo que escapa da fiscalização sanitária e da tributação, lesando os cofres públicos e alimentando as mesmas redes criminosas que a “Operação Não Fume” busca desarticular.
