Seis das maiores centrais sindicais do Brasil planejam se reunir com Paulinho da Força (SD-SP), relator do PL da Dosimetria, na próxima terça-feira (30), em Brasília.
O objetivo é aproveitar o prestígio do deputado, ex-presidente da Força Sindical, para pressionar o Congresso a votar pautas trabalhistas prioritárias.
Sindicalistas também querem esclarecimentos sobre a vinculação do projeto da dosimetria ao aumento da isenção do Imposto de Renda.
Centrais sindicais articulam pressão sobre Congresso
As seis principais centrais sindicais do país — Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Força Sindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical e Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) — solicitaram reunião com Paulinho da Força para discutir o PL da Dosimetria.
Paulinho, cuja trajetória política se iniciou no movimento sindical e que presidiu a Força Sindical até 2021, é visto como figura-chave para avançar demandas dos trabalhadores. As centrais pretendem usar a influência do relator para impulsionar temas como o fim da escala de trabalho 6 por 1 e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil mensais.
O desconforto entre os sindicalistas aumentou após Paulinho sugerir que a votação do PL da Dosimetria estaria condicionada à aprovação do texto que eleva a isenção do IR, uma das principais reivindicações das centrais.
Reações e divergências internas
Sérgio Nobre, presidente da CUT, destacou que as centrais rejeitam a proposta de anistia ampla, defendendo que “Anistia é impunidade e é muito ruim para o país”. Ele afirmou: “A gente quer ouvir dele o que ele está pensando, já que agora ele está falando em dosimetria, e queremos falar da pauta trabalhadora que está lá no Congresso, como o fim da escala 6×1 e o imposto de renda”.
João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, explicou que a discussão sobre dosimetria pode fortalecer o debate das pautas trabalhistas: “Queremos usar desse prestígio das negociações da anistia para emplacar a pauta dos trabalhadores”.
Adilson Araújo, presidente da CTB, demonstrou posição crítica ao relator, lembrando o papel de Paulinho no impeachment de Dilma Rousseff e afirmando que “A dosimetria é uma inversão, é uma matéria já vencida no Supremo Tribunal Federal e o Paulinho não tem credibilidade, por se aliar ao Temer e ao Aécio Neves”.
As centrais buscam, assim, não apenas avançar sua agenda, mas também esclarecer pontos polêmicos do PL da Dosimetria e a relação com outras propostas em tramitação.