A Receita Federal e a ANP realizaram nesta sexta-feira, 26, a segunda fase da Operação Cadeia de Carbono na refinaria Refit, no Rio de Janeiro.
Quatro navios com mais de 91 milhões de litros de diesel foram retidos no Rio e em Santos, em ação que investiga suspeita de fraude fiscal bilionária.
A operação causa apreensão no meio político devido à ligação do dono da refinaria, Ricardo Magro, com figuras influentes.
Detalhes da operação Cadeia de Carbono
A ação deflagrada nesta sexta-feira, 26, marca a segunda etapa da Operação Cadeia de Carbono, conduzida pela Receita Federal e pela ANP na Refit, antiga Manguinhos. Foram retidos quatro navios carregando mais de 91 milhões de litros de óleo diesel, avaliados em mais de R$ 290 milhões. Dois navios foram apreendidos nesta sexta-feira no Rio e em Santos, enquanto outros dois já haviam sido retidos na semana anterior.
De acordo com a Receita Federal, a fiscalização investiga a simulação de vendas, ocultação dos verdadeiros beneficiários das operações e inconsistências nas informações prestadas aos órgãos reguladores. Entre os indícios apurados estão a simulação nas vendas de produtos importados, por meio de sucessivas emissões de notas fiscais e conhecimentos de transporte, dificultando o rastreamento dos verdadeiros responsáveis.
Além disso, há suspeitas de ocultação dos reais beneficiários das transações de comércio exterior, com o objetivo de burlar controles aduaneiros, e inconsistências nas informações fornecidas sobre importação, produção e venda de combustíveis. A análise dos fluxos financeiros e da origem dos recursos utilizados nas operações também integra o escopo da investigação.
Repercussão política e posicionamento da Refit
A apreensão política em torno da operação se deve à proximidade do proprietário da refinaria, Ricardo Magro, com importantes figuras da política nacional. Segundo apuração, a principal suspeita é de que a Refit funcione como uma “refinaria fantasma”, simulando a produção de combustíveis para sonegar impostos de importação em um esquema considerado bilionário.
A Refit, por sua vez, divulgou nota na qual afirma que, ao longo de décadas de atuação, sempre manteve compromisso com a qualidade dos combustíveis oferecidos. A empresa destacou seu alinhamento às normas e regulamentos do setor, mas não comentou diretamente as suspeitas levantadas pela operação.