O Banco do Brasil mantém a expectativa de estabilização da inadimplência no crédito agropecuário no quarto trimestre de 2025, apesar do índice ainda elevado. A presidente Tarciana Medeiros destacou, em evento em Nova York, estratégias para mitigar riscos e apoiar produtores rurais. O banco reforça ajustes e uso de garantias robustas para enfrentar o cenário desafiador.
Inadimplência no setor agropecuário
O Banco do Brasil segue observando inadimplência resiliente entre produtores rurais, mesmo após esforços para conter atrasos nos pagamentos. No final de junho, o índice de inadimplência no setor atingiu 3,49%, bem acima dos 1,32% registrados no mesmo período do ano anterior. O vice-presidente de gestão financeira, Geovanne Tobias, afirmou que a carteira de crédito do agronegócio ainda apresenta sinais de deterioração, com tendência de repetição dos números do segundo trimestre no terceiro.
Para Tobias, a expectativa é de estabilização da inadimplência a partir do quarto trimestre de 2025, impulsionada por medidas regulatórias e governamentais recentes. Tarciana Medeiros reforçou que, apesar do cenário atual, há previsão de arrefecimento e controle do crescimento da inadimplência, resultado de ações estratégicas do banco.
Estratégias e garantias reforçadas
O BB mantém o compromisso de ser o “banco do agro”, intensificando a seleção criteriosa de crédito e priorizando a recuperação da capacidade de pagamento dos produtores. A presidente Tarciana Medeiros destacou o foco em recursos controlados e apoio à renegociação de dívidas. O uso da alienação fiduciária como garantia foi ampliado e representa metade das novas operações com produtores rurais.
Felipe Prince, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos, ressaltou a substituição de garantias tradicionais por opções mais robustas, como imóveis. O percentual de desembolsos com garantia real saltou de 31% na safra 2024/2025 para 60% na safra 2025/2026.
Ajustes estratégicos e inovação
Tarciana Medeiros afirmou que 2025 é um dos anos mais desafiadores para o Banco do Brasil, exigindo ajustes em toda a operação para garantir crescimento sólido. O banco revisou processos de cobrança e implementou uma nova matriz de resiliência para concessão de crédito em todos os setores.
A executiva destacou a alta qualidade das concessões para a safra de 2025, com uso intensivo de inteligência artificial na análise de crédito. O BB também intensificou as cobranças judiciais para assegurar a sustentabilidade das operações. Além disso, o ritmo de concessão de crédito aos produtores foi reduzido nesta safra, enquanto os processos de cobrança foram aprimorados.
Essas medidas visam fortalecer a carteira do banco no segmento rural, que já soma R$ 405 bilhões, e preparar a instituição para um cenário de maior estabilidade a partir do final de 2025.