Economia

Aneel exige explicações da Enel SP por demora na restauração de energia após temporal

Distribuidora tem 15 dias para justificar lentidão no restabelecimento do serviço após mais de meio milhão de clientes ficarem sem luz

A Aneel solicitou que a Enel São Paulo explique a demora na recomposição de energia após o temporal de segunda-feira (22).

Cerca de 580 mil unidades consumidoras em municípios paulistas ficaram sem luz por horas.

A distribuidora recebeu 15 dias de prazo para apresentar justificativas detalhadas sobre o episódio.

Falhas reiteradas e resposta lenta

Em despacho emitido na noite do evento, o diretor da Aneel, Fernando Mosna, afirmou que o desempenho da distribuidora “caracteriza manifesta e reincidente falha da ENEL SP em demonstrar evolução e conformidade com as exigências contratuais, regulatórias e os compromissos firmados com a ANEEL e com seus consumidores”.

Segundo a agência, às 22h do dia 22, a Enel SP ainda mantinha 398 mil unidades consumidoras sem energia, tendo restabelecido apenas 31% dos clientes afetados. Mosna destacou que “essa disparidade da concessionária na velocidade da recomposição de energia manteve-se nas horas subsequentes”.

No boletim de acompanhamento das 9h do dia 23, a empresa registrava 206,4 mil consumidores sem fornecimento, com 64% de restabelecimento — percentual abaixo das demais distribuidoras impactadas pelo evento climático. Às 20h do mesmo dia, a Enel SP seguia com o menor índice de recomposição.

Dois dias após a tempestade, às 9h do dia 24, ainda havia 14,1 mil unidades consumidoras sem energia na área de concessão da Enel.

Mosna ressaltou que a resposta “lenta” não é um caso isolado, mas reincidência de um padrão já observado anteriormente, que resultou em sanções e cobranças da agência reguladora.

Exigências e possíveis sanções

A diretoria da agência determinou que a Enel SP apresente esclarecimentos detalhados sobre a aplicação do Plano de Recuperação durante o evento, comprove com evidências a execução do Plano de Contingência e demonstre possuir estrutura compatível com a complexidade da área sob concessão, apta a responder rapidamente a eventos climáticos.

O despacho da Aneel alerta que a reincidência de falhas graves poderá resultar em medidas regulatórias e punitivas, conforme o arcabouço regulatório e o Contrato de Concessão.

Em nota, a Enel afirmou que “em cerca de 24 horas, a companhia já havia normalizado o fornecimento para aproximadamente 90% dos clientes afetados”.

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