Meio ambiente

Polícia Federal prende 15 por esquema bilionário de mineração ilegal em Minas Gerais

Operação revela propina, servidores públicos envolvidos e graves impactos ambientais em Ouro Preto

A Polícia Federal prendeu 15 suspeitos de integrar um esquema de mineração ilegal que movimentou bilhões em Minas Gerais.

Entre os acusados estão Alan Cavalcante do Nascimento, ex-deputado João Alberto Paixão Lages e o especialista Hélder Adriano de Freitas.

O grupo é acusado de pagar propina por licenças ambientais, envolver servidores públicos e causar sérios danos ambientais em Ouro Preto.

Esquema bilionário e principais envolvidos

Segundo a Polícia Federal, o esquema de mineração ilegal operava em Minas Gerais e envolvia nomes como Alan Cavalcante do Nascimento, apontado como chefe do grupo, o ex-deputado estadual João Alberto Paixão Lages e o especialista em mineração Hélder Adriano de Freitas. As investigações indicam que o grupo pagava propina para obter licenças ambientais e contava com a participação de servidores públicos. Entre os servidores citados estão Caio Mário Trivellato Seabra Filho, diretor da Agência Nacional de Mineração, Rodrigo de Melo Teixeira, delegado federal e suposto sócio oculto, Arthur Ferreira Rezende, diretor da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) e Rodrigo Gonçalves Franco, ex-presidente da Feam.

Impactos ambientais e denúncias

O esquema resultou em graves impactos ambientais, especialmente na comunidade de Botafogo, em Ouro Preto. Moradores relataram a diminuição drástica no abastecimento de água e o soterramento de uma gruta devido à extração de minério. O aposentado Antônio Siqueira Sobrinho afirmou: “Sempre teve água. De uns anos para cá, por causa dessa mineração, a água diminuiu muito, muito mesmo”.

Em áudio interceptado, Alan Cavalcante ironizou o volume de rejeitos: “Dá pra gente colocar piso em Belo Horizonte toda”.

Desdobramentos da investigação

A empresa Fleurs Global, usada pelo grupo para tratar minério, movimentou R$ 4 bilhões em cinco anos e poderia ter gerado até R$ 18 bilhões em exploração ilegal, segundo a Polícia Federal. O dinheiro financiava casas na praia, carros importados e vinhos de até R$ 25 mil a garrafa.

Parte das informações que permitiram o avanço das investigações veio da ex-mulher de Alan Cavalcante, que revelou esconderijos de dinheiro, incluindo malas com US$ 10 milhões, e detalhou tentativas do ex-marido de influenciar autoridades. Ela o descreveu como “psicopata” e relatou estratégias de intimidação contra políticos e juízes.

Após a operação, a extração na Serra de Botafogo foi interrompida. Especialistas, como Cristiane Castro Gonçalves, professora de Engenharia Geológica da UFOP, alertam que a recuperação ambiental será difícil e exigirá fiscalização efetiva e licenciamento responsável.

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