Política

PF apreende R$ 237 mil em espécie e R$ 2 mi em carros em operação contra fraude no INSS

Dois investigados foram presos e deputada federal do Ceará passou a usar tornozeleira eletrônica por decisão do STF
Operação PF apreensão fraude INSS: STF, Polícia Federal e INSS em composição retratando poder investigativo

A Polícia Federal apreendeu nesta terça-feira (17) mais de R$ 237 mil em dinheiro vivo, dez veículos avaliados em R$ 2,26 milhões e dezenas de artigos de luxo durante operação contra desvios de verbas de aposentados e pensionistas do INSS.

Dois investigados foram presos: o empresário Natjo de Lima Pinheiro e a advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente de associações de aposentados no Ceará. A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) foi alvo de busca e passou a usar tornozeleira eletrônica por decisão do STF.

Entre os bens confiscados constam ainda 31 óculos de luxo e 15 bolsas de grife — itens que reforçam a linha investigativa de lavagem de dinheiro dentro do esquema.

Esquema durou cinco anos e pode ter causado R$ 6,3 bilhões em desvios

As investigações conduzidas pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) mapearam descontos irregulares realizados entre 2019 e 2024 — cobranças não autorizadas lançadas diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas sem o conhecimento das vítimas.

O prejuízo estimado ao sistema previdenciário pode chegar a R$ 6,3 bilhões, segundo as apurações. Mais de 5 milhões de beneficiários foram afetados pelo esquema.

A ação desta terça é parte da Operação Indébito, novo desdobramento da Operação Sem Desconto — cujas fases anteriores já haviam preso dois ex-diretores do INSS e o ex-presidente da autarquia em novembro de 2024.

A deputada Gorete Pereira (MDB-CE) não foi presa, mas submetida a buscas e ao monitoramento eletrônico por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a PF, ela teria atuado como articuladora política do esquema — investigadores identificaram um apartamento de R$ 4 milhões registrado em nome de empresa administrada por familiar dela.

As prisões do empresário Natjo de Lima Pinheiro e da advogada Cecília Rodrigues Mota indicam que a teia investigada avança sobre o elo entre entidades representativas de aposentados e os operadores financeiros do esquema.

Para as vítimas da fraude, o governo abriu canal de ressarcimento: 760 mil aposentados têm até esta sexta-feira para formalizar pelo aplicativo Meu INSS a adesão ao acordo de devolução dos valores descontados ilegalmente.