Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (23) a manutenção do diálogo na Venezuela e uma solução diplomática para o conflito entre Rússia e Ucrânia.
O presidente discursou na abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, abordando instabilidade no Caribe e América Latina.
Lula criticou intervenções militares e ressaltou a necessidade de cooperação internacional para combater o tráfico de drogas.
Discurso de Lula na ONU
Durante a abertura do debate de líderes da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula destacou a importância de manter aberta a “via do diálogo” na crise venezuelana. Ele citou também o Haiti e Cuba ao abordar instabilidades no Caribe e América Latina, sem mencionar diretamente os Estados Unidos, que recentemente deslocaram navios militares para a região sob o pretexto de combater o narcotráfico.
O presidente afirmou que a região enfrenta um “momento de crescente polarização e instabilidade” e alertou sobre os riscos de intervenções externas: “Outras partes do planeta já testemunharam intervenções que causaram danos maiores do que se pretendia evitar, com graves consequências humanitárias”.
Lula defendeu que “a via do diálogo não deve estar fechada na Venezuela”, afirmou que “o Haiti tem direito a um futuro livre de violência” e considerou inadmissível que Cuba seja listada como país patrocinador do terrorismo.
Mesmo afastado do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, Lula não rompeu relações com Caracas. Maduro segue no poder após eleições contestadas, sem apresentação de atas para atestar o resultado.
Segundo Lula, a prioridade é manter a região como “zona de paz” e combater o tráfico de drogas por meio de cooperação internacional, evitando equiparar criminalidade a terrorismo, como fez o governo Trump. “A forma mais eficaz de combater o tráfico de drogas é a cooperação para reprimir a lavagem de dinheiro e limitar o comércio de armas. Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamento”, declarou.
Conflito Rússia x Ucrânia
Lula reiterou que a guerra entre Rússia e Ucrânia não terá solução militar, defendendo a necessidade de esforços diplomáticos. “No conflito na Ucrânia, todos já sabemos que não haverá solução militar. O recente encontro no Alaska despertou a esperança de uma saída negociada. É preciso pavimentar caminhos para uma solução realista. Isso implica levar em conta as legítimas preocupações de segurança de todas as partes”, afirmou.
O conflito se estende há mais de três anos, desde a invasão russa ao território ucraniano. O governo russo justificou o ataque alegando ameaças à sua segurança, especialmente pela possível entrada da Ucrânia na Otan.
Lula colocou o Brasil, ao lado da China, à disposição para mediar negociações entre Rússia e Ucrânia, reforçando o papel do país como agente de diálogo internacional.