O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que há espaço para a redução da taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, e que o índice não deveria estar nesse patamar. A declaração foi feita após o Banco Central manter a Selic em seu maior nível em quase duas décadas.
Haddad também destacou que a inflação deste ano deve ser igual ou menor que a do ano passado, aproximando-se do teto da meta estabelecida. Segundo ele, é importante trazer a inflação para dentro da banda permitida pelo sistema de metas.
Decisões do Banco Central e projeções de inflação
O Banco Central, atualmente presidido por Gabriel Galípolo e com maioria de diretores indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manteve a taxa Selic em 15% ao ano na semana passada. Essa decisão visa conter as pressões inflacionárias, que afetam principalmente a população mais pobre.
O principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação é a taxa básica de juros. A instituição utiliza o sistema de metas para definir os juros: se as projeções de inflação estão alinhadas com as metas, é possível reduzir a Selic; caso contrário, a tendência é manter ou aumentar a taxa.
A partir de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo será manter a inflação entre 1,5% e 4,5%, considerando uma meta central de 3%. Em junho, a inflação ficou seis meses seguidos acima da meta, obrigando o Banco Central a divulgar uma carta pública com explicações.
O Banco Central toma decisões olhando para as projeções futuras de inflação, pois mudanças na Selic levam de seis a 18 meses para afetar a economia. Atualmente, as projeções do mercado para a inflação oficial são de 4,83% em 2025, 4,29% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,7% em 2028, todas acima da meta central.
Discussão sobre Imposto de Renda e combate à desigualdade
Fernando Haddad também abordou mudanças no Imposto de Renda. Segundo o ministro, o Congresso Nacional está “muito maduro” para aprovar a isenção para quem ganha até R$ 5 mil, mas o desafio está em aprovar as medidas de compensação para a perda de arrecadação.
Para compensar a ampliação da faixa de isenção, o governo propõe taxar os super ricos, com renda mensal acima de R$ 50 mil. O projeto limita a cobrança sobre dividendos a 34% para empresas e 45% para instituições financeiras.
Haddad afirmou: “Hoje o cara [mais rico] paga 2%. Sair de 2% para 10% é uma revolução. Abre um caminho para, daqui a pouco, as pessoas falarem para acertar o jogo. Começar a agenda de combate à desigualdade é mais difícil do que seguir com ela. Vamos reduzir a alíquota sobre o consumo.”
O ministro defendeu que o Brasil deve buscar o padrão de tributação de renda da OCDE e reduzir a carga sobre o consumo, que afeta a população de baixa renda. “Aqui a gente cobra do pobre no consumo e não cobra do rico no IR. É uma coisa tão distorcida. Se engatarmos no caminho de reduzir sobre o consumo e aumentar sobre a renda, o caminho é esse. Se entrar na estrada certa, ganhamos a viagem. A 20 por hora, a 50 ou a 100, a sociedade vai decidir”, concluiu Haddad.