O Comitê de Política Monetária decidiu nesta quarta-feira (18) elevar a taxa Selic para 15% ao ano, maior nível em quase 20 anos. O comunicado destacou que a manutenção dos juros altos será por período “bastante prolongado” para conter a inflação. O Banco Central deixou claro que pode retomar o ciclo de alta se necessário, diante de riscos internos e externos.
Cenário externo e nacional
No comunicado, o Banco Central ressaltou que o ambiente externo permanece adverso e incerto, especialmente devido à conjuntura econômica dos Estados Unidos e suas políticas comercial e fiscal. A volatilidade dos ativos financeiros globais e o aumento das tensões geopolíticas exigem cautela dos países emergentes.
No cenário doméstico, indicadores de atividade econômica e mercado de trabalho mostram algum dinamismo, mas há sinais de moderação no crescimento. A inflação, tanto cheia quanto as medidas subjacentes, segue acima da meta estabelecida.
Balanço de riscos e política monetária
O Copom destacou que acompanha atentamente os desdobramentos da política fiscal e seus impactos na política monetária e nos ativos financeiros. O cenário é marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência da atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para garantir a convergência da inflação à meta, o comitê considera necessária uma política monetária significativamente contracionista por um período prolongado.
Repercussão do mercado e projeções
Daniel Cunha, estrategista-chefe da BGC Liquidez, afirmou que o Copom mantém postura vigilante e não hesitará em retomar o ciclo de alta se julgar necessário. Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, avaliou que o uso da expressão “bastante prolongado” visa reforçar a estratégia do BC e desestimular expectativas de cortes antecipados, prevendo redução apenas no início de 2026.
Helena Veronese, da B.Side Investimentos, concordou que o BC buscou evitar discussões prematuras sobre cortes, mantendo firmeza na responsabilidade com a inflação. Ela destacou que o Copom deixa aberta a possibilidade de retomada do ciclo de alta, o que considera importante em um cenário de elevada incerteza.
Expectativas para a Selic
O Copom antecipou a interrupção do ciclo de altas para avaliar os impactos dos ajustes já realizados. O comitê enfatizou que futuras decisões poderão ser ajustadas conforme a evolução do cenário econômico, mantendo a vigilância sobre riscos inflacionários tanto no Brasil quanto no exterior.