Economia

Banco Central pode interromper ciclo de alta da Selic após nove meses de aumentos

Copom se reúne nesta quarta para decidir se mantém ou eleva taxa básica de juros, atualmente em 14,75 ao ano

O Banco Central pode encerrar o ciclo de elevação da Selic nesta quarta-feira, após nove meses de aumentos consecutivos. A decisão será tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em reunião em Brasília, com anúncio previsto para depois das 18h.

O mercado financeiro está dividido sobre a possibilidade de manutenção ou novo aumento da taxa, atualmente em 14,75% ao ano, o maior nível em quase 20 anos.

Debate entre analistas e justificativas do Copom

Desde setembro do ano passado, a Selic passou por seis aumentos seguidos. Pesquisa do Banco Central com mais de 130 instituições financeiras indica que a maioria dos analistas acredita na interrupção do ciclo de alta, diante da desaceleração recente do IPCA. “O IPCA de maio que mostrou desaceleração dá esperança de que talvez o pior do processo inflacionário tenha ficado para trás”, afirma Luis Otávio Leal, economista chefe da G5 Partners. Segundo ele, a expectativa é de manutenção da Selic em 14,75% até pelo menos o final de 2025.

No entanto, alguns bancos projetam novo aumento para 15% ao ano. O C6 Bank avalia que o Copom deve justificar a elevação dos juros diante da desancoragem das expectativas de inflação, resiliência da atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. A instituição reforça a necessidade de política monetária contracionista até que haja consolidação do processo de desinflação e ancoragem das expectativas.

Funcionamento do Banco Central e metas de inflação

A taxa Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação, especialmente para a população mais pobre. O BC define os juros com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação superam as metas, a tendência é manter ou elevar a Selic. Desde o início de 2025, o sistema de meta contínua considera o objetivo de 3% cumprido se a inflação variar entre 1,5% e 4,5%.

O BC mira as projeções futuras de inflação, pois os efeitos das mudanças na Selic demoram de seis a dezoito meses para impactar a economia. Atualmente, as projeções para 2025, 2026, 2027 e 2028 são de 5,25%, 4,5%, 4% e 3,85%, respectivamente, todas acima da meta central. O BC admitiu que a meta pode ser descumprida novamente em junho, com seis meses seguidos acima do teto. Em ata recente, a instituição afirmou que seguirá vigilante e calibrando o ritmo do aperto monetário para buscar as metas.

Desaceleração econômica e impactos dos juros altos

O Banco Central tem destacado que a desaceleração do crescimento econômico faz parte da estratégia para conter a inflação. O hiato do produto segue positivo, indicando que a economia opera acima do potencial sem pressionar a inflação. O BC também observa que o juro alto já contribui para desacelerar a atividade e prevê impacto crescente na geração de empregos.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, declarou em maio que faz sentido manter taxas de juros elevadas por um período prolongado. Especialistas apontam que juros maiores impactam diversos setores: aumentam as taxas bancárias (com média de 45,3% em abril, maior nível desde 2017), restringem o consumo e investimentos, prejudicam o PIB, o emprego e a renda, além de piorar as contas públicas. Em doze meses até abril, as despesas com juros do setor público somaram R$ 928 bilhões, ou 7,7% do PIB. Por outro lado, aplicações em renda fixa tendem a render mais, reduzindo a atratividade do mercado de ações.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
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