A direção da Câmara dos Deputados decidiu na terça-feira (23) solicitar a suspensão do mandato de três deputados envolvidos no motim que travou as atividades da Casa. O episódio, ocorrido em agosto, resultou em bloqueio do plenário e protestos contra a presidência. Os pedidos de suspensão foram encaminhados ao Conselho de Ética, que avaliará as punições.
Detalhes das suspensões e motivações
O motim na Câmara foi motivado por divergências internas sobre votações e insatisfação com a presidência. Durante o episódio, parlamentares bloquearam o acesso a gabinetes e impediram sessões, paralisando os trabalhos por mais de 30 horas. O protesto também foi uma reação à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A Mesa Diretora decidiu pedir a suspensão do mandato de Marcos Pollon (PL-MS) por 90 dias, devido a declarações difamatórias contra a cúpula da Câmara, e por mais 30 dias por obstruir o acesso de Hugo Motta à presidência. Também foram solicitadas suspensões de 30 dias para Marcel van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC), ambos por impedirem Motta de reassumir a cadeira de presidente.
As representações foram encaminhadas ao Conselho de Ética após parecer do corregedor Diego Coronel (PSD-BA), que considerou os três deputados como autores dos comportamentos mais graves. O envio foi assinado por todos os membros da direção, exceto os vice-presidentes Altineu Côrtes (PL-RJ) e Elmar Nascimento (União-BA).
Outros envolvidos e repercussão política
Além dos três deputados com pedidos de suspensão, o corregedor analisou representações contra outros 11 parlamentares dos partidos PL, PP e Novo. Para todos os 14 investigados, incluindo nomes como Allan Garcês, Bia Kicis, Carlos Jordy, Caroline de Toni, Domingos Sávio, Julia Zanatta, Nikolas Ferreira, Paulo Bilynskyj, Pastor Marco Feliciano, Sóstenes Cavalcante e Zucco, foi sugerida a aplicação de censura escrita.
A decisão provocou reações divergentes entre os partidos. Enquanto alguns defendem punições rigorosas para evitar novos episódios, outros criticam a medida, alegando que pode prejudicar o debate democrático na Câmara.
O episódio fragilizou Hugo Motta, que foi impedido de reassumir a presidência durante a ocupação. A direção da Câmara também anunciou a instauração de processos disciplinares para apurar responsabilidades e prevenir futuras crises institucionais.