Deputados da oposição passaram a noite de terça (5) para quarta-feira (6) no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília.
O grupo, formado por parlamentares de direita, organizou um revezamento para protestar contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Três grupos de deputados se alternaram em turnos de três horas cada no plenário da Casa.
Revezamento e protesto
O protesto dos deputados da oposição foi motivado pela decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro após descumprimento de medidas cautelares. Para demonstrar insatisfação, os parlamentares de direita organizaram uma lista de revezamento, dividindo-se em três grupos com turnos de três horas cada durante a noite no plenário da Câmara dos Deputados.
Essa estratégia de pernoitar nas dependências da Câmara tem se tornado frequente como forma de protesto entre deputados nos últimos anos.
Casos recentes
Em abril deste ano, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) também utilizou o pernoite como forma de manifestação. Ele dormiu por mais de uma semana em um dos plenários das comissões e realizou greve de fome para protestar contra o avanço de um processo de cassação de seu mandato. O protesto foi encerrado após um acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre o andamento do processo.
Outros episódios de vigília
Em março de 2022, o então deputado Daniel Silveira, aliado de Jair Bolsonaro, passou uma noite em seu gabinete na Câmara para evitar receber uma tornozeleira eletrônica, determinada também por Alexandre de Moraes. Silveira baseou sua resistência na interpretação de que a polícia não poderia agir contra parlamentares dentro do Congresso Nacional. Após um dia de resistência e diante da ameaça de multa diária, ele acabou recebendo o equipamento em 31 de março.
Esses episódios mostram como a vigília noturna na Câmara se consolidou como símbolo de protesto político, sendo adotada por diferentes espectros ideológicos em momentos de tensão institucional.