Fernando Haddad, ministro da Fazenda, anunciou que não irá aos Estados Unidos para a Assembleia Geral da ONU, acompanhando o presidente Lula. O ministro explicou que sua permanência no Brasil é motivada pela possibilidade de votação do projeto de isenção do Imposto de Renda no Congresso Nacional.
Lula embarca para Nova York no domingo (21), enquanto Haddad prioriza discussões sobre o IR para quem ganha até R$ 5 mil.
Motivações para a permanência de Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comunicou nesta sexta-feira (19) que não acompanhará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Questionado por jornalistas, Haddad afirmou que ficará no Brasil “em virtude da possibilidade” de votação do projeto de isenção do Imposto de Renda (IR) no Congresso Nacional na próxima semana. “Então, nós entendemos que, possivelmente, os líderes se reúnam na Câmara para julgar a conveniência e a oportunidade de levar a plenário na semana que vem. Então, estou ficando um pouco em função disso”, declarou o ministro.
A ausência de Haddad ocorre em um momento de tensão diplomática. A viagem de Lula aos EUA acontece em meio ao embate com o governo de Donald Trump, que impôs uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros e sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes.
Outras ausências na delegação brasileira
Além de Haddad, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também desistiu de viajar para os EUA, alegando restrições impostas pelo país. Em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, Padilha classificou as medidas como “inaceitáveis” e “uma afronta”.
O presidente Lula, por sua vez, declarou à BBC que não possui “problema pessoal com o presidente Donald Trump” e que, caso encontre o republicano na ONU, pretende cumprimentá-lo: “Sou um cidadão civilizado. Eu converso com todo mundo, eu estendo a mão para todo mundo.”
Tramitação e impacto do projeto de isenção do IR
A Câmara dos Deputados aprovou recentemente um requerimento de urgência para o projeto que altera as regras do Imposto de Renda. O texto, já aprovado em comissão especial, pode ser votado diretamente em plenário. A proposta prevê a ampliação da faixa de isenção do IR para R$ 5 mil, uma das promessas de campanha do presidente Lula.
Atualmente, estão isentos do imposto quem ganha até dois salários mínimos (R$ 3.036). O projeto, relatado por Arthur Lira (PP-AL), também prevê desconto parcial para rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7.350. Segundo cálculos do diretor tributário Welinton Mota, quem ganha R$ 5 mil deixará de pagar cerca de R$ 313 mensais de IR, totalizando uma economia anual de R$ 4.067, considerando o décimo terceiro salário.
“É quase um salário a mais [por ano]. Só que, daí por diante, por conta da progressividade do IR, os ganhos vão diminuindo até R$ 7.350. Acima disso, não há mudança. Quem ganha R$ 4 mil, vai ter pouco mais de 1/3 de ganho [37% do salário a mais por ano]”, explicou Mota.
Se aprovado, o projeto isentará cerca de 10 milhões de contribuintes do IR em 2026. De acordo com o Ministério da Fazenda, mais de 26 milhões de declarantes (65%) seriam isentos, e 87% da população total do país não pagaria IRPF.