O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (21) para Nova York, onde fará o discurso de abertura do debate de líderes da Assembleia Geral da ONU na terça-feira (23).
Lula deve abordar temas como soberania, tarifas, meio ambiente, guerras e democracia. A viagem inclui encontros com líderes mundiais e participação em eventos sobre clima e democracia.
Discurso de abertura na ONU
O presidente Lula terá seu discurso finalizado apenas na véspera da abertura da Assembleia Geral. A expectativa é que, mesmo sem citar diretamente o presidente americano, Lula faça críticas à imposição de tarifas e defenda a soberania do Brasil, marcando posição diante dos Estados Unidos. O texto, elaborado por assessores e ministros, também deve abordar temas recorrentes em sua política internacional, como democracia, multilateralismo e a necessidade de reforma na ONU.
Parte do discurso será dedicada à preservação ambiental e à transição energética, temas centrais para o governo brasileiro, que sediará a COP30 em novembro de 2025. O Brasil busca apoio financeiro de países ricos para ações contra as mudanças climáticas. Além disso, Lula deve mencionar os conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza, defendendo um cessar-fogo.
Agenda paralela e temas internacionais
Durante a viagem, Lula participará de encontros com outros governantes e de eventos ligados à sua política externa. Na segunda-feira (22), ele estará em uma conferência promovida por França e Arábia Saudita para discutir a guerra na Faixa de Gaza e a solução dos dois estados. Lula já classificou as ações militares de Israel na região como “genocídio”, o que levou Israel a declará-lo persona non grata.
Na terça-feira (23), além do discurso na ONU, Lula e o secretário-geral António Guterres lideram um evento sobre clima, incentivando ações para a COP30. O Brasil apresentará o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa para captar recursos e financiar a preservação ambiental.
Na quarta-feira (24), Lula, ao lado de Gabriel Boric e Pedro Sánchez, comanda a segunda edição do evento “Em Defesa da Democracia”, focado em fortalecer a democracia, o multilateralismo e combater extremismo, desinformação e discurso de ódio.
Comitiva presidencial e restrições
A comitiva completa não foi divulgada, mas devem acompanhar Lula o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o assessor-chefe Celso Amorim e a primeira-dama Janja da Silva.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi convidado e chegou a receber visto, mas o governo americano limitou sua circulação. No mês passado, os Estados Unidos cancelaram o visto da esposa e da filha de Padilha. O visto dele já estava vencido e não foi renovado.
Em entrevista à GloboNews, Padilha afirmou que as restrições são “inaceitáveis” e “uma afronta”, e por isso cancelou sua participação na Assembleia Geral e em outros eventos em Nova York.