Política

Governo pressiona e divergências internas ameaçam votação da anistia na Câmara

Disputa por cargos, emendas e resistência do Centrão dificultam aprovação da urgência para projeto de anistia aos envolvidos em 8 de janeiro

A Câmara dos Deputados pode votar nesta quarta-feira (17) a urgência do projeto que concede anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. O governo intensificou sua articulação política para barrar a proposta, cobrando fidelidade de deputados e oferecendo emendas extras. O Centrão e lideranças como Hugo Motta demonstram desconforto, aumentando a incerteza sobre o resultado da votação.

Disputa política e estratégias do governo

Até algumas semanas atrás, a aprovação da urgência para o projeto de anistia parecia certa na Câmara. No entanto, o cenário mudou após o governo reforçar sua articulação política, mapeando indicações de deputados para cargos na administração federal e exigindo lealdade dos beneficiados. Além disso, o Planalto passou a oferecer emendas extras, ou seja, indicações de aplicação de verbas do orçamento discricionário da União, como forma de pressionar parlamentares a votar contra a urgência do projeto.

Segundo avaliação interna, o Centrão teria votado a favor da blindagem para, em seguida, tentar derrotar a anistia. Essa percepção é compartilhada por lideranças do Planalto, que veem o ambiente político como desfavorável à aprovação da proposta.

Resistências e divergências no Centrão

O deputado Hugo Motta sinalizou a aliados que prefere evitar desgaste com o Supremo Tribunal Federal (STF), alertando que uma anistia “ampla e geral” poderia ser considerada inconstitucional. Isso geraria um desgaste desnecessário para a Câmara e, especialmente, para seu presidente.

No PL, partido de Jair Bolsonaro, a posição é de não aceitar qualquer texto que não beneficie todos os envolvidos nos atos, incluindo as lideranças. A única concessão cogitada seria retirar do texto a anistia à inelegibilidade imposta ao ex-presidente pelo STF, tema incluído pelo partido para tentar reabilitar Bolsonaro eleitoralmente.

Alternativas, bastidores e próximos passos

Partidos do Centrão demonstram abertura para discutir a anistia, mas defendem um texto alternativo, como o apresentado por Fausto Pinato (PP-SP), que propõe revisar a dosimetria das penas. Para esses partidos, essa abordagem seria menos desgastante com o Judiciário e mais alinhada com suas bases eleitorais.

Com a maioria dos partidos sinalizando apoio à possível candidatura de Tarcísio de Freitas à presidência, anistiar Bolsonaro perde força entre as siglas do Centrão. Uma reunião do Colégio de Líderes, marcada para a manhã desta quarta-feira (17), deve definir os rumos do tema, mas até o momento não há consenso sobre o texto a ser votado.

“O que vai se decidir nessa quarta-feira é a urgência da pauta anistia. Se a Casa considera interessante uma anistia ampla, uma anistia aos envolvidos no oito de janeiro ou uma revisão da dosimetria”, afirmou um dos principais líderes de partido de Centro.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

PEC fortalece blindagem judicial de parlamentares e impulsiona estratégia do Centrão para 2026

Lula e ministros do STF consideram avanço da anistia aos condenados do 8 de janeiro uma afronta ao Judiciário

Deputados do PT apoiam PEC da Blindagem para evitar aprovação da anistia

Motta afirma que projeto de anistia busca reconciliação e não apagar o passado

Câmara aprova urgência para projeto de anistia a condenados por atos golpistas

Alcolumbre reage a ataques e dificulta avanço de PEC da Blindagem e anistia